Renato Russo é brega?

Renato Russo é brega?

 

Depois de Caetano Veloso e Maria Bethânia, o terceiro cantor prestes a sair do Armário do Brega é Renato Russo. Ele é brega ou não é? Vamos aos precedentes:

 

- Ele já gravou uma versão brasileira de uma canção dos Menudos. Menudos? Aqueles caras do “Não se reprima”? Eles mesmos. Não acredita? Pois a canção Hoje a noite não tem luar, que puxa o CD Acústico MTV da Legião Urbana, é uma versão de Hoy me Voy para México, dos Menudos. E Dado Villa-Lobos ainda disse que “Ele queria incluir uma música dos Menudos a cada disco da Legião”. E o refrão ainda lamenta que ele está sem ela numa noite sem luar. Ou seja: Dorzinha de corno básica...

 

- Ele já gravou um cd inteirinho só com baladinhas românticas italianas, como La Solitudine, Scrivimi, Lettera, Dolcissima Maria e E Tu Come Stai. Quer saber o nome do cd? Equilíbrio Distante. Brega até no nome...

 

- Ele já gravou uma canção que diz: “É preciso amar como se não houvesse amanhã”. Quer mais brega do que isso? O amor é brega, como disse Cazuza (Outro que vai passar pelo Armário do Brega).

 

- Ele já gravou uma canção chamada Faroeste Caboclo, na qual um tal João de Santo Cristo perde a mulher para seu maior inimigo. Pense num corno! E no final, morre todo mundo: ele, sua ex-mulher (Maria Lúcia) e seu algoz (Jeremias). Pronto: mais um caso de chifre que acaba em morte!

 

- Ele compôs uma canção (Os Barcos) que é uma baita dor-de-cotovelo de fazer inveja a qualquer Reginaldo Rossi. Veja só alguns versos: “Você diz que tudo terminou/ Você não quer mais o meu querer. Sentiu o drama do rapaz? Pois veja esse outro trecho, que ele canta gritando, quase botando as tripas pra fora: Eu vejo você se apaixonando outra vez/ Eu fico com a saudade e você com outro alguém”.  Seja sincero: se você não soubesse que esta era uma canção do Legião Urbana, você diria que se trata de uma letra de rock? Diria nada. No mínimo acharia parecido com alguma balada romântica de José Augusto ou Fábio Jr.

 

- E pra terminar vejam só a música que ele mesmo considera como sua obra-prima, aquela que ele teve o maior orgulho de ter composto: Giz. Segundo a canção, sabe o que ele fez com um pedaço de giz? Adivinhem. Desenhou toda a calçada, rabiscou o sol que a chuva apagou. O amor não é lindo? O amor não é brega?

 

Pois é, alguém ainda duvida que o grande poeta do rock brasileiro sempre foi um bregueiro enrustido? Pena que ele não está mais entre nós para se defender. Mas eu tenho certeza que ele concordaria comigo. Russo, onde quer que você esteja, saia logo do Armário do Brega, assuma de vez a sua breguice, mesmo do além.

 

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Rebelde

REBELDE

Eu sou rebelde porque o mundo quis assim (Rebelde – Diana)

Por Thiago de Góes 

1.

A tinta branca contornou sua boca, formando-lhe um sorriso fixo. Uma pequena bola vermelha de plástico encaixou-se ao nariz, causando-lhe certo incômodo. A peruca de cabelos laterais deixou-lhe calvo, e a roupa branca estampada com bolas coloridas por fim definiu-lhe tão burlesco quanto ansiava. Ele torcia para que a fantasia lhe ocultasse a tristeza.

 

Nas paredes, repousavam cartolinas em formato de personagens de famosas histórias em quadrinho. Confetes, lanches e brindes dividiam espaço com a trilha sonora, composta por inesquecíveis “hits” da música infantil!

 

Super fantástico!

 

No banheiro, o palhaço ainda fazia os últimos retoques na maquiagem. Mesmo trancada a porta, ele escutou a música tocar e o suave barulho dos meninos. Então lançou um longo e divertido “Bom Dia!” e jogou confetes para o alto e logo reuniu todas as crianças ao seu redor. Contou anedotas inocentes, forjou escorregões, fez caretas, estripulias, dançou e cantou. Botou no rosto de quase todos um sorriso único e sincero.

 

Havia vinte cadeiras no centro do pátio, postas em duas filas, de costas umas às outras. As crianças deveriam percorrer em volta das cadeiras, até que o palhaço parasse de cantar. Neste instante, deveriam sentar-se. Aqueles que sobrassem, iam saindo da competição. Quando restasse uma cadeira para cada criança, o palhaço deveria retirar uma cadeira por vez, até que sobrasse apenas uma, que seria disputada por dois moleques.

 

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Rebelde - CONTINUAÇÃO

Cantando: “Ciranda Cirandinha vamos todos cirandar, Vamos dar a meia volta, meia volta/”.

 

Ao instante do breque, todos correram velozes em busca de seus disputados assentos. Uma pequena garota, com trancinhas no cabelo, parecia mais distraída. Apesar disso, teve sorte e apanhou sua cadeira, sem grandes dificuldades.

 

“O anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me deste era/”.

 

Um observador mais atento diria que já não era tanto a sorte que ajudava a menina. Na verdade, ela parecia ter um fiel escudeiro. Diz-se que o cômico deveras torcia para que a menina estivesse o mais perto possível de uma das cadeiras e neste exato instante parava de cantar.

 

“Por isso, menina linda, sai de dentro dessa roda. Diga um verso bem bonito, diga adeus/”.

 

Já era mais do que certo. Um por um, a menina dos cabelos de trancinha eliminava seus concorrentes. Ainda assim, permanecia distraída e não expressava nenhuma alegria por suas vitórias sucessivas. Quando, por fim, deixou para traz a última criança, foi aplaudida efusivamente por todos.

 

Recebeu como prêmio uma boneca de pano, que não largava de maneira alguma. Passou o resto da festa conversando com sua mais nova amiga.

 

“Qual o nome dela?”, perguntou o palhaço, já vestido com roupas normais. Ao falar, pôs as mãos na cabeça da garota e sentiu um aperto na garganta.

 

“Por que você está chorando?”

“Por nada, minha filha!”. Enxugou os olhos. “Por nada...”.

2.

 

VINTE E POUCOS ANOS DEPOIS

 

Carregava no corpo esguio vestimentas negras, um piercing na sobrancelha esquerda, um cigarro de maconha na mão direita e uma pequena tatuagem azul de lua minguante no pescoço. Ela discretamente afastou-se do amplo terraço, onde calouros universitários divertiam-se ao som de uma banda de rock, e foi na direção do escritório do pai de sua amiga, dona da festa.

 

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Rebelde - CONTINUAÇÃO

Adentrou no recinto e logo trancou a porta. Sentou-se numa poltrona confortável, defronte uma estante repleta de livros antigos. Observando-os, deu uma longa tragada e procurou no braço uma veia perdida.

 

Retirou do bolso uma seringa descartável e carregada. Injetou-se cuidadosamente. Á direita da estante, havia um quadro simples, que retratava a cabeça de um palhaço. Ela o encarou e começou a sorrir maliciosamente. Aos poucos, o sorriso meio contido foi transformando-se numa gargalhada. Então, ela apoiou as pernas nas extremidades de uma escrivaninha próxima e disse:

 

“Tá rindo do quê, palhaço?”.

 

Observou o silêncio da figura e pareceu-lhe que não mudou suas expressões.

 

“Já sei, aposto que está doidinho pra me comer...”.

 

Ela afastou um pouco mais uma perna da outra, permitindo à calcinha branca escapar do breu da mini-saia. E, enquanto simulava masturbar-se, perguntou ao quadro:

 

“E aí? Vai ficar só olhando mesmo?”.

 

O som da banda penetrava sem força alguma no aposento e já lhe parecia muito mais uma cantiga de rodas, a embalar seus pensamentos lascivos.

 

Foi quando a figura do palhaço, solenemente enquadrado e pendurado, deu o ar da graça:

 

“Qual o nome dela?”.

“Hein?”.

“Qual o nome dela?”.

“Você está falando!”.

“Sim. E quero saber qual o nome dela”.

“Dela quem?”.

“Da bonequinha”.

“Que bonequinha?”.

“Que tristeza! Eu pensei que você havia gostado...”.

 

Ela titubeou.

 

“Que... quem é você?”.

“Não te lembras de mim?”.

“Nã... não...”.

“Eu sou teu PAI!”.

 

Ao ouvir o nome Pai, pronunciado assim daquela forma tão inesperada, ela já não pôde suportar a iminência do desmaio. Mas no segundo imediatamente anterior ao seu desfalecimento, ela percebeu uma gota d’água percorrendo verticalmente a figura, a partir do olho direito, e desbotando as cores por onde passava...

 

FIM

Você consegue ver o brega?

Pessoal,

Olha só esta excelente obra de arte que encomendei ao meu amigo artista Chagas Cunha.

Trata-se de uma ilustração feita a bico de pena e aquarela.

A figura mostra 13 situações que representam metaforicamente músicas bregas.

 

Você consegue identificar as 13 músicas que estão representadas na figura?

 

Aquele que primeiro disser o maior número de respostas certas, nos comentários deste post, ganhará um exemplar autografado do livro Contos Bregas, que enviarei pelo correio.

 

Na próxima quinta-feira (03.08.06), eu divulgarei o vencedor da promoção.

CLIQUE NA FIGURA PARA VÊ-LA EM TAMANHO AMPLIADO.

 

 

Páginas da Vida

Ela, 68 anos, disse na novela Páginas da Vida que chegou ao primeiro orgasmo aos 45 anos, ouvindo a canção “Côncavo e Convexo”, de Roberto Carlos. Veja o vídeo aqui.

 

Uma estrofe da letra diz assim:

 

Cada parte de nós tem a forma ideal
Quando juntas estão, coincidência total
Do côncavo e convexo
Assim é nosso amor, no sexo

 

A polêmica foi grande. A emissora recebeu várias cartas indignadas. A redação dos Contos Bregas, no entanto, recebeu centenas de e-mails de leitoras que também passaram pela mesma situação, também na melhor idade. Vejam os principais casos:

 

- Bucicleide, aos 55 anos, ouvindo A Loba, de Alcione. Trecho: “Adoro sua mão atrevida. Seu toque e o simples olhar já me deixa despida”.

 

- Genestrina, 53, ouvindo Deixa eu te amar, de Agepê. Trecho: “Quero te pegar no colo, te deitar no solo e te fazer mulher”.

 

- Krislayne, 61, ouvindo Eu já tirei a sua roupa, de Wando. Trecho: “Eu já tirei a tua roupa, nesses pensamentos meus. Já criei mil fantasias de desejo e de prazer”.

 

- Zondonaide, 91, ouvindo Perigosa, de As Frenéticas. Trecho: “Eu sei que eu sou bonita e gostosa. E sei que você me olha e me quer. Eu sou uma fera de pele macia. Cuidado, garoto, eu sou perigosa”.

 

- Maxilene, 75, ouvindo Safada, de Wando: “Vem minha safada, vem minha bandida, minha descarada. Quero um beijo gostoso nessa boca molhada. Vem matar o desejo deste seu animal”.

 

E você? Conhece alguma amiga que já tenha passado por uma situação parecida, ouvindo alguma pérola do nosso cancioneiro popular? Conte pra gente como foi. É só comentar.

Nomes Bregas

Pessoal,
Republico post do ano passado, sobre os nomes mais bregas do mundo.

 

Olha só como está minha coleção de nomes bregas: já vai em 90 nomes. Vocês podem escolher destes os três mais bregas? Na minha opinião, são os seguintes: Bucicleide, Sebostílio e Valdisnei. Também estão faltando nomes nas letras I, e X. Quem quiser contribuir, fica à vontade. A letra M é a campeã até agora, com 14 nomes.
Divirtam-se!

 

A - Adroaldo; Amarílis; Anacirene; Anderlei; Andrielly

B - Bucicleide

C - Carlene; Carmosina; Cilene; Claudirene; Claudivânia

D - Derzonil; Dinikelly; Disneilândio; Dominique; Doubleday; Dulcicleide

E - Eliete; Epaminondas; Evanilde

F - Firmina; Florisvan; Franciclaudio; Frankislayne; Franscinaldo; Fransciscleide

G - Genestrina; Gerciane; Gercildo; Germiniana; Gervásia; Gilcélio; Gildenice; Givanildo; Guiomar

H - Hermínia; Hildebrando

J - Janicleide; Jonilde; Josicleide; Jucilândio; Jucilene

K - Kailiane; Krislayne

L - Laudijane; Laurentina; Ledjane; Leide; Lindomar; Luzirleide; Luzmarina

M - Madeinusa; Madinusa; Maicou; Marcicléia; Mariene; Mariselaine; Marlene; Maslândia; Maxiclene; Maxilene; Metrofânio; Mirlete; Mirosmar; Mistegeime

N - Nadjane; Nicilena; Nobemar;

O - Oleúde; Onéria

P - Palimércio; Palmarino

R - Raindoberto; Raminel; Raudennis; Rimar; Rinomar; Rubênia; Rubiney

S - Sebostílio; Sivoneide

T - Taichicuane

U - Uélinton

V - Valdete; Valdirene; Valdisnei; Vanúbia

W - Walderban

Y - Yduan

Z – Zondonaide

Armário do Brega - MARIA BETHÂNIA

 

Mais uma que está prestes a sair do Armário do Brega: Maria Bethânia. O que você acha? Maria Bethânia é brega ou não é?

 

Vamos aos precedentes:

 

- Ela já gravou Negue, um verdadeiro clássico da dor-de-cotovelo, aquele mesmo que diz mostrar “a boca molhada e ainda marcada pelo beijo” de quem negou o ex-amor, ou seja, de quem “cuspiu no prato que comeu”.

 

- Ela já gravou Ronda, outro clássico da dor-de-corno, aquele mesmo que afirma que vai ter “cena de sangue num bar da avenida São João”, caso o amor esteja “bebendo com outras mulheres, rolando dadinhos, jogando bilhar”.

 

- Ela já regravou É o amor, de Zezé di Camargo e Luciano. Precisa falar alguma coisa?

 

- Ela já gravou Atiraste uma pedra, um supra-sumo da fossa, que lamenta quase chorando: “atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem”.

 

- Ela já gravou um cd inteiro só com músicas de Roberto Carlos. Aliás, essa foi a gota d’água. Contra fatos não há argumentos.

 

Pois é, Maria Bethânia, você nunca me enganou. Você é muito brega! Mas não fique triste, isto vindo de mim é um elogio! Nós todos amamos a sua breguice. Só torcemos para que você a assuma de vez e grave um cd inteiro com músicas de Bartô Galeno e Lindomar Castilho. “Só lembranças” e “Muralhas da Solidão” ficariam muito massa na sua voz!

Promoção Contos Bregas
 

A vencedora da promoção do link Contos Bregas foi Gabriela, autora do blog www.gabisgalvao.blogspot.com. Ela divulgou o post sobre os Contos Bregas e ganhou um livro de graça! Parabéns Gabriela!

Cinco músicas para o Dia do Amigo

Assim como Roberto Carlos, você também quer ter um milhão de amigos e que cada um deles 
seja um amigo de fé, um irmão camarada?
Assim como Milton Nascimento, você também acha que amigo é coisa pra se guardar
debaixo de sete chaves
?
Assim como Mike, Tob, Simony e Jairzinho, você também acha que
somos amigos, amigos do peito, amigos pra valer?
Ou assim como Sarah Brightman e José Carreras, você também acha que
amigos para sempre é o que nós iremos ser?



Então curta esta seleção de Cinco Músicas para o Dia dos Amigos, no post abaixo.

Dia do Amigo - LETRAS

Amigos do Peito (Balão Mágico)
Meu nome é Mike/ Gosto muito de brincar/ Eu sou o Tob/ Não me canso de cantar/ Sou Simony/ 
E queria apresentar/ Novos amigos/ Que acabaram de chegar/ Sou Jairzinho/
O mais novo do balão/Eu sou o Fábio/ Também vou nessa canção/ Somos amigos/
E queremos divertir/ Nossos amigos/ Do balão Que vai subir/ Somos amigos/ Amigos do peito/
Amigos de uma vez/ Somos amigos/ Amigos do peito/ Amigos de vocês/ Viver a vida/
Viajando nas canções/ Viver cantando/ Alegrando os corações/ Viver os sonhos/
Tudo que acontecer/ Fazer amigos/ Mas amigos pra valer

 

Eu Quero Apenas (Roberto Carlos)

Eu quero apenas olhar os campos, eu quero apenas cantar meu canto/ 
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos/

Quero levar o meu canto amigo a qualquer amigo que precisar/
Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar/
Eu quero apenas um vento forte, levar meu barco no rumo norte/
E no caminho o que eu pescar quero dividir quando lá chegar/
Eu quero crer na paz do futuro, eu quero ter um quintal sem muro/
Quero meu filho/ pisando firme, cantando alto, sorrindo livre/
Eu quero amor decidindo a vida, sentir a força da mão amiga/
O meu irmão com sorriso aberto, se ele chorar quero estar por perto/
Venha comigo olhar os campos, cante comigo também meu canto/
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos
 
Amigo (Roberto Carlos/ Erasmos Carlos)
Você meu amigo de fé, meu irmão camarada/ Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas/ 
Cabeça de homem mas o coração de menino/
Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada/
Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro/
Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro/
O seu coração é uma casa de portas abertas/
Amigo você é o mais certo das horas incertas/Às vezes em certos momentos difíceis da vida/
Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída/ A sua palavra de força, de fé e de carinho/
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho/Você meu amigo de fé, meu irmão camarada/
Sorriso e abraço festivo da minha chegada/ Você que me diz as verdades com frases abertas/
Amigo você é o mais certo das horas incertas/ Não preciso nem dizer/ Tudo isso que eu lhe digo/
Mas é muito bom saber/ Que você é meu amigo/ Não preciso nem dizer/
Tudo isso que eu lhe digo/
Mas é muito bom saber/ Que eu tenho um grande amigo

 

Amigos para Sempre (José Carreras)

Eu não tenho nada pra dizer/ você parece no momento até saber como eu estou sofrendo/ 
Vem veja através dos olhos meus a emoção que sinto em estar aqui/
Seguir seu coração e amando/ Amigos para sempre é o que nós iremos ser/
Na primavera ou em qualquer das estações/ Nas horas tristes nos momentos de prazer/
amigos para sempre/ Você pode estar longe, muito longe sim/
Mas por te amar sinto você perto de mim, e o meu coração contente/
Não nos perderemos não te esquecerei você é minha vida tudo que eu sonhei/
Ligues para mim um dia/ Olho, pra você e me pergunto assim/ Se tudo é tão sincero/
Por que tem que haver/ Um tempo de dizer adeus
 
Canção da América (Fernando Brant e Milton Nascimento)
Amigo é coisa para se guardar/ Debaixo de 7 chaves/ Dentro do coração/ assim falava a canção/ 
que na América ouvi/ mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir/
mas quem ficou, no pensamento voou/ o seu canto que o outro lembrou/
E quem voou no pensamento ficou/ uma lembrança que o outro cantou/
Amigo é coisa para se guardar/ No lado esquerdo do peito/
mesmo que o tempo e a distância digam não/ mesmo esquecendo a canção/
O que importa é ouvir a voz que vem do coração/ Seja o que vier/ venha o que vier/
Qualquer dia amigo eu volto pra te encontrar/ Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar

Morango do Nordeste x Strawberry of America

Segue post antigo sobre versão em inglês da música Morango do Nordeste. Há versões em espanhol e italiano, mas não consegui achá-las. Se alguém souber, por favor me informe.

Provavelmente, a música brasileira com mais versões é Morango do Nordeste. A canção de autoria de Walter de Afogados e Fernando Alves, estourou nas paradas de sucesso em 2000, na voz de Lairton dos Teclados. Foram gravadas mais de 50 versões, nos mais variados estilos musicais. Uma destas versões ultrapassou os limites da língua pátria: Elzio Silver traduziu a letra para o inglês, dando origem a Strawberry of América, que pode ser ouvida no endereço mms://elzyosilver.com.br/musicas/strawberryelzio.asf

 

Eu copiei a letra em inglês, que segue abaixo. Mas alguns versos eu não consegui identificar. Por favor, ouçam a música e completem a letra nos comentários.

 

MORANGO DO NORDESTE/ STRAWBERRY OF AMÉRICA

Estava tão tristonho quando ela apareceu
I was so solitier when she apperars

teus olhos, que fascínio logo estremeceu
_____________________ made ma crazy

Os meus amigos falam que eu sou demais
My friends say that I am too much

mas é somente ela que me satisfaz
Its only her that satisfies me

É somente ela que me satisfaz
Its only her that satisfies me

é somente ela que me satisfaz
Its only her that satisfies me

Você só colheu o que você plantou
You had _____________________________

Por isso é que vos falam que eu sou um sonhador
that is why they say i am a dreamer

Me diz o que ela significa pra mim
Please tell me what she means to me
se ela é um morango aqui do nordeste
she is strawberry here of america
Tú sabes, não existe sou cabra da peste
I don't give up, I am resistent
apesar de colher as batatas da terra
I_________________ potetoes from land
com essa mulher eu vou até pra guerra
with this woman I go to war

OOOOOOOOOUuu, Its love
2X | ÔOOOOO Its Love
Its love

Armário do Brega

Retirado de http://blogs.ya.com/ladina/Pessoal, hoje eu vou estrear um novo quadro aqui nos Contos Bregas. Chama-se Armário do Brega. Nele, eu vou desmascarar os artistas considerados chiques, mas que no fundo são mais bregas do que se possa imaginar. Vou começar por Caetano Veloso. Ele é brega ou não é?

 

Caetano Veloso é brega?

 

Vamos aos precedentes:

 

Ele já gravou Coração Materno, de Vicente Celestino, no disco da Tropicália.

Ele já cantou Pare de Tomar a Pílula com Odair José, no Festival Phono 73.

Ele já gravou Sozinho, de Peninha.

Ele já gravou Você não me ensinou a te esquecer, de Fernando Mendes.

Ele já gravou um cd inteiro com músicas latinas super bregas (Fina Estampa).

Ele já cantou Um tapinha não dói.

Ele já compôs músicas com refrões do tipo “Você é linda” e “Gosto muito de você, leãozinho”.

Ele já disse a frase “Nada mais Z do que um público classe A”

 

Então, precisa dizer mais alguma coisa? Alguém ainda duvida que Caetano Veloso é brega? Aliás, nem ele mesmo duvida disso. Só não tem coragem de dizer. Fica defendendo os artistas bregas, gravando músicas bregas com violino, mas não tem coragem de assumir que ele mesmo é super brega. Sai do Armário do Brega, Caetano! Assuma, de uma vez por todas, a sua breguice nossa de cada dia!

 

E você, leitor, o que acha? Ele é brega ou não é?

PROMOÇÃO IMPERDÍVEL!!!

Eu, Thiago de Góes, blogueiro, bregueiro, declaro que doarei um exemplar do livro Contos Bregas, aos 10 primeiros blogueiros que postarem a mensagem abaixo em seus respectivos blogs e me avisarem nos comentários do meu blog, no período de 17 a 21 de julho de 2006.

 

"Thiago de Góes, bregueiro, blogueiro, declara que doará um exemplar do livro Contos Bregas, aos 10 primeiros blogueiros que postarem esta mensagem em seus respectivos blogs e o avisarem nos comentários do blog Contos Bregas (www.contosbregas.zip.net), no período de 17 a 21 de julho de 2006.

 

EU JÁ GANHEI O MEU! O livro traz contos inspirados e epigrafados por versos de pérolas do cancioneiro brega. NÃO PERCA ESTA OPORTUNIDADE. DIVULGUE E GANHE O SEU TAMBÉM!"

Belina Mamão

Segue matéria que eu escreví sobre a nova banda de brega Belina Mamão, que entrevistei por e-mail.

 

Um carro muito mamão. Uma banda muito brega
por Thiago de Góes

 

Em 1970, a Ford lançava uma perua silenciosa e confortável pertencente à família Corcel. A montadora chamou-a pelo singelo nome de Belina. O veículo tinha boa suspensão e era muito econômico. Disponível em versões de duas e quatro portas, o carro comportava facilmente cinco pessoas e ainda contava com bagageiro de teto opcional.

 

Três décadas depois, já tendo saído de linha, um exemplar do automóvel (modelo 75, na cor mamão, remendado com cimento e durepox e com o carburador sujo) tentou percorrer a Ladeira do Sol, uma subida muito íngreme localizada na entrada da Praia do Meio, em Natal (RN), que costuma dar prego nos motores mais desgastados.

 

Estavam no automóvel cinco músicos que atendem pelos nomes artísticos de Dedé Braga, Franci Lee Flores, Galego do Bar, Iratan Dagata e Assis Tachou. Eles são integrantes de uma banda de brega natalense, batizada carinhosamente pela alcunha do querido veículo que transporta a banda: Belina Mamão!

 

“Não conseguimos subir a ladeira. Era madrugada e fazia o maior perigo do mundo. Todas as caixas de som estavam na mala. Descemos de ré. Lá em baixo, ela pegou de novo. Então subimos de primeira marcha, torcendo pra chegar lá em cima e também lá em casa”, relembra Franci Lee Flores, ou Franklin Medeiros.

 

Ele confessa que a manutenção da perua é bastante trabalhosa. “Toda semana, há uma coisa pra fazer: cano de escape, radiador, carburador, lanternagem etc. Realmente, acho que ainda vamos passar muitos perrengues...”.

 

Ele tem razão. Nestas condições, a Belina certamente ainda deve enfrentar muitas dificuldades para subir ladeiras íngremes. Mas o mesmo não deve acontecer com a banda homônima, na subida das paradas do sucesso.

 

Aliás, a Belina Mamão acaba de dar o primeiro passo rumo ao estrelato. No último dia 04 de julho, a banda abriu o show de, nada mais nada menos, Waldick Soriano, no Teatro Alberto Maranhão (Natal-RN), dentro do Projeto Seis e Meia. Eles também abrirão o show de Waldick nos próximos dias 19 e 20 de julho, em João Pessoa e Campina Grande. E na primeira quinzena de agosto, o Belina Mamão estará em Fortaleza para gravação do primeiro CD, que será realizada no estúdio de Dorgival Dantas!

 

Em suas apresentações, eles arrebentam na execução de clássicos do brega de seus maiores ídolos (Carlos Alexandre, Reginaldo Rossi, Alípio Martins, Amado Batista, Odair José, Lindomar Castilho), e “ídolas” (Eliane, Núbia Lafaiet, Jane e Erondí, Diana e outras).  

 

E por falar em bregueiras, os integrantes da banda, que nasceu no dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher), garantem que as mulheres estão cada vez mais virando fãs da música brega.

 

“O número de mulheres curtindo brega, principalmente em nossos shows, é muito grande! Elas também levantam o copo ao ouvir um grande sucesso brega, entrando totalmente no clima!”, revela Franklin.

 

CONTINUA NO POST ABAIXO

Belina Mamão - Continuação

Uma noite, porém, elas quase não puderam entrar no clima. É que, faltando 15 minutos para o início do show, adivinhem o que aconteceu? Pane seca na Belina. Faltou gasolina. “O contratante ligou aperreado. Após colocarmos o combustível com o auxílio de um balde, seguimos viagem, mas percebemos que o tanque estava furado. Então apertamos o pé pra conseguir chegar no local do show a tempo. Não deu outra, o carro chegou lá, só na banguela, e a gasolina acabou assim que estacionamos na frente da casa de show”, relembra Franklin. E completa: “O show foi massa, mas a Belina voltou rebocada pra casa, sem contar que a corda que a puxava arrebentou umas duas vezes...”.

 

Franklin confessa que o estado do veículo está mesmo lastimável, mas espera ganhar muito dinheiro com a banda, para poder consertá-lo de forma que ele não os deixe na mão quando mais precisem do automóvel.

Mas, apesar dos contratempos, a banda realmente ama o veículo que lhe deu o nome. “Há pessoas que têm um carrão importado na garagem, mas não possuem dinheiro para pagar o financiamento. Isto é brega, no mal sentido”.

 

No bom sentido, brega mesmo são eles, que trazem uma proposta emocionante, irreverente e divertida, tocando canções que, de uma forma ou de outra, fizeram parte da vida de cada um que os vai assistir.

 

Brega mesmo é a Belina Mamão, assim como brega também são os seus parentes mais próximos, segundo Franklin: o Fuscão Preto, a Brasília Amarela, o Del Rey, a Variant 2, o Mercedão Vermelho, o Motoqueiro e a Bicicleta envenenada!

 

Já pensou numa corrida com todos esses veículos? A Fórmula 1 que se cuide...

 

Agenda do Belina Mamão - Julho/2006

15/7 – Natal/RN (Green Shoop. Início da Jaguararí em Candelária, 22h)

19 e 20/7 – João pessoa e Campina Grande/PB (Belina Mamão e Waldick Soriano. 18h30)

21/7 – Natal/RN (Chácara Resnascer. Final da Airton Senna, próximo ao Jiqui. 22h)

22/7 – Natal/RN (Festa Restaura Belina! Feijão com Brega! Clube do IPE na BR 101, após a Brasinox! ao meio dia)
29/7 - Caiçara do Rio dos Ventos/RN (21h)

 

FIM

Pare de tomar a pílula - LETRA

Pessoal, vocês já devem ter ouvido a bela canção Pare de tomar a pílula, de Odair José. Não??? Eu não acredito. Ela é uma obra-prima. Um clássico do brega. Fala do amor que se cristaliza no desejo de ter filhos.

 

Mas não é só isso. A canção também incomodou o governo militar. Veja o que disse a Revista Época sobre o caso:

 

“A música foi proibida por ter sido lançada quando o governo fazia programas de incentivo ao controle de natalidade entre as populações pobres, apesar da posição católica contrária ao uso de anticoncepcionais. Para os censores, a canção de Odair José representava uma conclamação à desobediência civil e uma referência explícita à sexualidade”. Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT380723-1661,00.html

 

Pois então, segue abaixo a letra desta pérola:

 

Uma vida só (Pare de tomar a pílula)

Odair Jose

 

Já nem sei há quanto tempo
Nossa vida é uma vida só
E nada mais

Nossos dias vão passando
E você sempre deixando
Tudo pra depois

Todo dia a gente ama
Mais você não quer deixar nascer
O fruto desse amor

Não entende que é preciso
Ter alguém em nossa vida
Seja como for

Você diz que me adora
Que tudo nessa vida sou eu
Então eu quero ver você
Esperando um filho meu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu

(refrão)

Pare de tomar a pílula

Pare de tomar a pílula

Pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer (3x)

Você diz que me adora
Que tudo nessa vida sou eu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu

Pare de tomar a pílula

Pare de tomar a pílula

Pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer (3x)

PARE DE TOMAR A PÍLULA

Ela conseguiu estacionar num terreno baldio a beira da estrada. Tentou abrir as portas, mas elas estavam trancadas. Tentou livrar-se do cinto de segurança, mas já não reunia forças. Sentia-se dopada.

 

Não conseguiu nem mesmo expressar o horror que sentiu ao ver a marcha do carro transformando-se numa serpente mordaz, que rastejava em direção a sua genitália. Percebeu piscarem todos os faróis. Sentiu a língua da serpente lambendo-lhe o clitóris. Ouviu a buzina soando intermitentemente, num ritmo incansável. Sentiu a cabeça do animal penetrando-lhe vagarosamente. Chorou. Conseguiu, enfim, tomar uma atitude desesperada.

 

A Polícia encontrou o carro esmagado numa árvore. A mulher não morrera, embora seu quadro clínico fosse grave. Um policial encontrou uma caixa de remédios embaixo do banco do motorista, em cujo interior havia o seguinte bilhete:

 

“Trocar as pílulas por estes comprimidos. Telefonar para mim, dizendo os contatos da moça. Esquizofrênica. Delírios de perseguição com aspectos de erotomania”.

 

(Trecho do conto Pare de tomar a pílula, de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Odair José)

Cabeçada

Dizem por aí que o motivo da cabeçada de Zidane em Materazzi, durante o jogo final da Copa 2006, foi que este teria chamado aquele de terrorista sujo e a irmã dele de prostituta.

 

Ainda bem que ele não o xingou de corno, pois nesse caso os chifres teriam perfurado o coração do zagueiro italiano.

Entrevista com Waldick

Transcrevo abaixo entrevista concedida por Waldick Soriano à jornalista Anna Ruth Dantas e publicada no jornal Tribuna do Norte. O link original é http://www.tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=15566

 

 

"O brega é aquilo que é malfeito"

09/07/2006 - Tribuna do Norte

Por Anna Ruth Dantas

O romântico é brega ou o brega é romântico?
Brega é aquela pessoa ignorante, que trata a  musica romântica de brega. Essa nova geração não estuda, que não tem esclarecimento de nada, leva a vida na bagunça, tudo para eles é farra, então trata a música romântica de brega. Nunca pensei na minha vida chegar ao ponto de ver a música romântica ser tão maltratada, tratada de maneira tão grotesca como agora. Chamar a música romântica de brega? A música romântica é poema, é amor, é carinho. A música romântica é um livro que ensina as pessoas, que leva para as pessoas aquilo que elas querem de saudade, lembrança, lembrança de algum lugar, de carta que você espera a resposta, saudade daquele grande amor que você perdeu.

 

Então o senhor faz música romântica?
É romântico. O breguismo é o que é malfeito por aí.

 

E o que é brega? O que o senhor classificaria de música brega?
É baderna. Agora eu posso falar o que é brega? Estão tratando a música de maneira pejorativa. Brega é cabaré, zona, baderna, coisa malfeita. Não é nem popular. Popular é uma coisa, coisa malfeita é outra.

 

Então o que é a música malfeita hoje? Quem o senhor citaria fazendo esse tipo de música?
A música romântica malfeita é o que está cheio. O cara até toca romanticamente, mas a letra e a melodia são malfeitas. Hoje você liga a televisão, aliás, acho que o povo gasta muita energia com televisão, assistindo aos programas indecentes, imorais, inclusive, principalmente, na música. Não existe mais uma grande cantora. Você não vê um grande cantor na televisão, um grande compositor. Não tem mais. Onde está o grande compositor?O sucesso destoa da boa música?
Eu, por exemplo, hoje mesmo estava falando com o grande músico Nazareno, mostrando umas músicas que o povo ainda não conhece. E eu digo que o povo não conhece porque o rádio não toca. O rádio só toca se paga. Eu não pago para tocar porque nunca precisei. O Nelson (Gonçalves) nunca precisou, o Luiz Gonzaga também não. Só precisa pagar para tocar quem não tem o que dar. O que acontece é que o rádio não toca mais a bonita música. Você liga o rádio e não ouve música bonita. Só ouve essas porcarias, essas baboseiras. Ultimamente moro em Fortaleza, e é uma bela cidade, mas tenho pena do povo de lá por ouvir tanta baboseira na rádio e televisão. Tem cara que vai à televisão tocar e a polícia deveria ir lá buscá-lo.

Mas não seria complicado nos dias de hoje fazer sucesso sem contar com a ajuda do rádio e da televisão? Como os artistas poderiam fazer?
Como Luiz Gonzaga fez, Nelson fez e Waldick Soriano faz. Padre Cícero pagou para ser padre Cícero? Lampião também não.

Desde o início da sua carreira, o senhor criou um estilo próprio que foi seguido por outras pessoas da música romântica. Seu diferencial começaria nesse estilo diferente?
Sou do sertão da Bahia, fui vaqueiro, garimpeiro, essas mãos aveludadas que hoje estão aqui já foram descascadas, trabalharam nos garimpos. Já botei roça sozinho, entrei no mato sozinho, fui grande vaqueiro. Eu no interior fui tudo na vida, grande sanfoneiro que ainda sou. Então, na época eu ouvia Luiz Gonzaga que era o maior cantor do Brasil. O maior sucesso. O maior cantor para mim ainda é Luiz Gonzaga e na época era o maior sucesso. A gente só ouvia no sertão Luiz Gonzaga, a gente só tocava Luiz Gonzaga. Morava no lugarejo que se chama Brejinho, a 20 quilômetros de Caetité (cidade natal dele), que hoje tem até avenida em meu nome. Na nossa vila sempre gostei de cowboy. Aí o amigo falou que estava passando um filme em Caetité. No cinema preto e branco ia passar um Durango Kid. E eu o vi de máscara preta, roupa preta, cavalo alasão. Assisti ao filme aí cheguei no lugarejo, meu pai tinha uma loja, peguei logo um brim sem vergonha, mandei fazer uma calça e um blusão e peguei um chapéu preto. Como eu não poderia usar máscara, fui no brechó e comprei os óculos preto. Comprei um cavalo igualzinho e saí. Aí eu continuei usando a roupa preta. Quando fui para São Paulo com a mesma imagem fui muito criticado. A primeira pessoa que usou chapéu preto e óculos preto na televisão fui eu. Hoje todo mundo usa. Mas continuei com a minha imagem, meus ternos pretos. Aí, eu tive condição de comprar umas roupinhas. Eu acho que a imagem de terno preto era mais bacana e continuei.

CONTINUA NO POST ABAIXO

Entrevista com Waldick - CONTINUAÇÃO

A música que o senhor faz sempre esteve muito ligada ao povão. Mas, hoje parece estar chegando à elite, que se aproxima do “romântico cult”. O que mudou? Será que essas pessoas estão tirando a máscara da música que sempre gostaram?
Agora você falou uma verdade. Tirando a máscara é isso que elas fazem. O meu público, se você ver meus shows, tem crianças, tem jovem, gente de todas as idades. Não tem preconceito de idade. O jovem quer conhecer o Durango Kid. O povo dessa idade, da terceira idade, que gosta da música e ainda valoriza a música romântica, que ainda valoriza o amor, quer ouvir porque não se ouve mais. O público que vai aos shows quer ouvir coisa bonita que também faz lembrar coisas bonitas. Vão lembrar namoros do passado.

Acabou o preconceito com a música romântica do povão?
Acabou o preconceito. Não tem mais isso. Hoje a empregada sai mais bonita que a patroa.

Seu grande sucesso foi “Eu não sou cachorro não”. Tem muita gente sendo cachorro hoje em dia?
E como tem. Gostei dessa pergunta. Principalmente hoje que a nossa cultura não sei de onde vem. Antes não era tanto assim, a mulher hoje é como objeto. Não concordo. Eu moro em Fortaleza, o Ceará hoje está sendo o campeão de exploração de mulher. Homem mata mulher à toa. Esses canalhas. Homem que mata mulher por ciúme ou porque foi traído é canalha. Tanta mulher no mundo, não resta dúvida que há homens que confiam, acreditam numa mulher e a mulher não presta. Se não presta manda embora. Matar uma pessoa, por quê? Só porque não quer viver com você. Isso aí está acontecendo muito no Brasil. Não sei por que; a nossa cultura não era essa. De uns tempos para cá o negócio muda e a violência no país está demais. Ninguém respeita mais ninguém. Essa nova geração não sabe o que é música romântica, por isso que chama de brega. Chamar uma tortura de amor de brega é brincadeira.

Qual o futuro da música diante dessa geração?
Eu ouvia sempre do meu grande amigo Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, eles falavam que quando a gente morrer vai acabar a música romântica. Luiz já se foi, Nelson já se foi, Orlando Dias foi embora. Só existe Cauby Peixoto, ainda tem o Timóteo que canta música romântica. Cantar “perdoa-me pelo bem que te quero” (começa a cantar). A música “Eu não sou cachorro não” é tratada de maneira pejorativa e isso é burrice dessa geração que está aí. Eles tratam porque fala do cachorro. Cachorro é melhor do que muita gente que existe por aí. “Eu não sou cachorro não para viver tão humilhado, eu não sou cachorro não para viver tão desprezado, tu não sabes compreender quem te adora...” (ele declama em poema a música). Chamar essa música de brega? Isso é um povo super atrasado. Desculpe-me, mas a cultura do Brasil está indo para a cucuia.

 

FIM

Preconceito

Em entrevista à Revista RAIZ, ao ser questionado sobre o que acha de expressões da cultura popular atual, como o funk, o hip-hop, e o BREGA, Antônio Nóbrega afirma:

 

“Não acredito que uma pessoa que toma ônibus às cinco horas da manhã, vai para a fábrica e volta para casa às oito horas da noite, tendo que refazer a mesma coisa no dia seguinte, faça isso com a maior alegria. O pagamento pode até atenuar o sofrimento dessa rotina, mas, em geral, o nosso povo não trabalha no que gosta. Então, essas pessoas, quando relaxam no fim de semana, a propensão é procurar entretenimento fácil. Ninguém com essa rotina vai pegar um livro de Fernando Pessoa, Guimarães Rosa ou escutar músicas mais elaboradas. Quer mais é balançar o corpo que ficou atrofiado. A própria sensibilidade ficou atrofiada. Em geral, são pessoas de certa rudeza cultural”.

 

Atrofiado? Rudeza cultural?

 

O texto de Marco Frenette sobre música brega publicado na edição nº 64 de BRAVO! é uma excelente resposta para Nóbrega. Frenette diz:

 

“Difícil dizer, também, qual letra merece o adjetivo de “brega”, se esta de Perla: “Pequenina, meu amor/ Vem correndo para meus braços/ Guardo para você os mais caros e lindos sonhos”; ou esta da bossa nova: “Existem praias tão lindas/ Cheias de luz.../ Teu céu tão lindo/ Tuas sereias/ Sempre sorrindo”. Somos inclinados a ver genialidade ou primariedade nas coisas de acordo com o status de seus portadores. Naturalmente, não significa dizer que o brega iguala-se musicalmente à bossa nova, mas apenas que pode haver uma certa covardia moral nos julgamentos estéticos e culturais correntes”.

 

Este é certamente um dos conceitos mais precisos que já ouvi sobre preconceito: “uma certa covardia moral nos julgamentos estéticos e culturais correntes”.

 

Placar final: Frenette 1 x 0 Nóbrega

SAFADA

E quem foi o idiota que enfiou na sua cabeça que eu estou afim de atenção? Eu já disse e vou repetir quantas vezes for preciso: eu quero você agora! É tão difícil assim de entender? Será que eu não estou sendo claro, minha linda? Será que nós não estamos falando a mesma língua? Desde que fique comigo agora, eu estou cagando se você vai ou não vai me dar atenção.

 

Fidelidade? Eu quero mais é que você me traia com a torcida do Corinthias! Sensatez? Que se lixe a sensatez do mundo inteiro. E fique você sabendo que eu não quero cheirar porra nenhuma de flor. Eu quero é sua boca, seu corpo, seus olhos, sua pele! E agora!

 

Ah, quer dizer que a lindinha me faria sofrer? Pois saiba que é disto que eu preciso: sofrer! Eu quero sofrer. Eu exijo que você me faça sofrer. Não agüento mais essa vida de pequenas alegrias, emoções equilibradas, felicidades previsíveis. Eu quero cair da corda bamba. Eu quero embriagar-me do teu cheiro.

 

(Trecho do conto Safada, de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Wando)

Garçom x Waiter

Pessoal, republico post do ano passado sobre minha participação num show de Reginaldo Rossi.

No veraneio de 2000, fui ao show de Reginaldo Rossi, no Recanto do Garcia, um excelente restaurante próximo à Praia de Cotovelo, litoral sul de Natal. Foi o melhor show dele que eu já fui. Ele cantou no chão, pois a platéia estava "muito distante". "Quero uma escada agora", ordenou o Rei. Ele desceu e fez um show cantando várias músicas que ele não canta com tanta freqüência, inclusive a música de Anita, "ne me quitte pa", que na voz dele ficou massa. Devia ter ido a versão dele pra série da tv.

Mas vamos para o destaque. No final do show, ele tava dando autógrafo e eu fui pedir o meu. Aí eu aproveitei pra dizer que sabia CANTAR GARÇOM EM INGLÊS. Não deu outra: assim que ele terminou a seção de autógrafos, se dirigiu à platéia e anunciou que havia um CORNO AMERICANO que cantaria Garçom em inglês.

Dito e feito. Desafinei pacas, mas todo mundo aplaudiu efusivamente... Segue a letra:

Waiter

Waiter, here on this bar table
You're tired of listening
To hundreds of love stories
Waiter, in the bar everyone is equal
My case is just another one, it's banal
But pay attention, please
See, my great love
Is getting married today
And sent me a letter to tell me
Leaving my heart in pieces
And to ease the sadness,
only a table of a bar
I want to drink all
I'm getting drunk
If I fall asleep
Lay me down on the floor
Waiter, I know I am
getting on your nerves
But all drunks become pests
Bully, and are always right
Waiter, but all I want is to cry
I'm going to pay my bill
So I ask your attention
Vamos Falar de Nós

Pessoal, republico post do ano passado sobre a música "Vamos falar de nós" (ver letra no post abaixo), que é sucesso total em Angola.

 

 A autora Roberta Miranda cantou-a na festa de independência daquele país, para mais de 160 mil pessoas, andando entre o público, que parecia estar em transe com a letra. Hoje, a música virou marcha nupcial oficial no país. Os angolanos se casam ao som de "Vamos falar de nós". Este momento está registrado num dos DVDs da cantora.


A letra é um hino romântico (uma balada triste e sincopada) mas que, na minha interpretação, retrata metaforicamente e subliminarmente a História de Angola, o que explicaria o sucesso da canção naquele país.

 

Eu postei esta minha idéia numa comunidade do Orkut e vejam só quantas opiniões foram ditas:

 

- Essa música é realmente uma mensagem subliminar das guerras que aconteceram naquele país.
- Os “dois” que a música cita seriam a MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola).
- Os espinhos podem remeter às minas terrestres que fazem de Angola um dos países com maior número de pessoas amputadas.
- O "desarmados" remete também ao processo de pacificação angolano com o fim da guerra.

- "Vamos falar de nós" remete a um sentimento nacionalista
- “Nossas brigas são coisas que nos dizem respeito" pode expressar um desacordo com possíveis interferências externas em conflitos internos ou guerras civis.
- "Somente a Deus dou direito de mostrar um caminho pra nós" - Idem
- "Nós levamos tantos anos pra nos encontrar" – Pode ser uma alusão aos anos de dependência política e sua posterior independência.
- "Vamos falar de nós, olhando um pro outro, desarmados" – Pode ser uma referência à democratização e pacificação.

 

O que acham disso tudo caríssimos bregueiros?

Vamos falar de nós - LETRA

por Roberta Miranda


Vamos falar de nós/ A gente teve um caso tão bonito/ E apesar de tudo/ de nos amarmos tanto foi preciso/ nos agredir/ até esquecer nossos momentos lindos/ Eu te ferir/ Lhe magoar/ pra entender certas coisas não valem a pena/ Que o amor ele é feito de coisas pequenas/ a arte de se dar/

Vamos falar de nós/ podemos retirar alguns espinhos/ tentar recomeçar/ o que está gritando em nosso peito/ Dizer tudo que a gente tem direito/ Até mesmo esgotar/ o brilho que está em nosso olhar/

Nossas vidas/ nossas brigas são coisas que nos dizem respeito/ Somente a Deus dou direito/ de mostrar um caminho pra nós/ Nós levamos tantos anos pra nos encontrar. Aprendi, aprendeste a amar/ amor


Vamos falar de nós, olhando um pro outro, desarmados/ Não vamos dar a chance para sorrisos falsos ou aplausos/ Para pessoas que nos criticaram/ nem ao menos quis saber se eu caminharia sem você


Nossas vidas/ nossas brigas são coisas que nos dizem respeito/ Somente a Deus dou direito/ de mostrar um caminho pra nós/ Nós levamos tantos anos pra nos encontrar. Aprendi, aprendeste a amar/ amor

SENDO ASSIM

Deu no jornal: Cientistas americanos anunciam que pequeno vilarejo situado no nordeste brasileiro será palco de fenômeno natural jamais visto na história da humanidade. Trata-se de uma tórrida chuva de cerveja, que cairá sob o solo nordestino em futuro próximo. Até o momento, não foram explicadas as causas do fenômeno, mas há fortes rumores no meio científico de que a chuva seja decorrente de intervenção alienígena.

 

Nego Bila tomara conhecimento da notícia ao ler pedaço de jornal amassado, apanhado no lixo do vizinho. A idéia invadiu sua mente de forma bastante veloz: "vou construir uma cisterna".

 

(Trecho do conto Sendo assim, de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Genival Santos)


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