Hoje é o Dia do Blog
Chico Buarque é brega?
Chico Buarque é brega? Se você duvida, vamos aos precedentes:
- Ele já gravou com Zezé di Camargo e Luciano. Chico e a dupla gravaram juntos Minha História, versão de Chico para a canção italiana Gesùbambino de Dalla e Palotino. A música fala de uma criança cujo pai “partiu não se sabe pra onde”. A mãe, “com o olhar cada dia mais longe”, ninava seu filho “cantando cantigas de cabaré”. Ou seja: mulher abandonada e criança órfã de pai vivo. Quer mais brega do que isso?
- Ele já gravou com a Jane, da dupla Jane e Herondy, do clássico Não se vá. Jane canta com Chico a canção Com açúcar, com afeto. E tem mais: Jane deu uma bronca pública em Chico. Segundo ela, Chico não a respeita mais, porque ela é vista como cafona. Tem coisa mais brega do que não querer ser brega?
- Ele já foi gravado por Fafá de Belém. Ela gravou um disco inteirinho só com músicas de Chico. As canções de Chico ficaram belíssimas na voz da intérprete de “Abandonada por você”. Ah, e também perderam a falsa áurea de chique...
- Ele já compôs Sob medida. É uma canção na qual uma mulher diz para seu amado “Sou perfeita porque, igualzinha a você, eu não presto”. Seja sincero: você já ouviu alguma frase mais brega do que “eu não presto”? E a mulher ainda se auto-intitula “traiçoeira e vulgar, sou sem nome e sem lar, sou aquela”. E pra completar, ela ainda diz pra ele: “Você tem o amor que merece”. Precisa comentar?
- Ele já compôs um monte de músicas batizadas com nomes de mulher. Quer coisa mais brega do que música com nome de mulher? Pois vamos à coleção: Carolina, Teresinha, Yolanda, Rita, Rosa, Angélica, Bárbara, Beatriz, Cecília, Januária, Lígia, Lola, Luísa, Renata Maria, Sílvia, e muitas outras. É brega demais! Em tempo: brega pra mim é elogio!
- Ele já compôs A Banda. Eu não sei não, mas tem coisa mais brega do que ficar à toa na vida, “pra ver a banda passar cantando coisas de amor”?
- Ele já compôs Atrás da Porta. Que, aliás, poderia muito bem ser chamada de Atrás da Fossa. Porque eu vou dizer uma coisa, “ô musiquinha dramática, visse!”. Essa história de que “quando olhaste bem nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus”, é muito brega. Ainda mais aquela coisa humilhante de se “agarrar nos teus cabelos, só pra mostrar que ainda sou tua” é pura dor-de-cotovelo. Não tem como escapar!
- Ele já gravou Geni e o Zepelin. Pense numa prostituta de lixo. Eu disse lixo, e não luxo. Pensou? Pois Geni é pior. E essa história de “Joga pedra na Geni, Ela é feita pra apanhar, Ela é boa de cuspir, Ela dá pra qualquer um, Maldita Geni” é um dos refrões mais bregas de Chico. Aliás, a frase “ela dá pra qualquer um” é muito baixa...
- Ele já gravou Teresinha. Essa é demais. Uma mulher e seus três amores: um romântico tradicional, um bêbado machista e um homem simples e comum. Quem vocês acham que ela escolheu? O terceiro! O único que a olhava como uma mulher real, sem idealizações. Veja só o que ela disse: “Foi chegando sorrateiro, e antes que eu dissesse não, se instalou feito um posseiro, dentro do meu coração”. Chico, nessa você se superou. Essas rimas simples e previsíveis são demais. É simplesmente um bregão!
Pois é, depois destas revelações eu sugiro aos empresários investirem no seguinte título: Bartô Galeno canta Chico Buarque. Iria vender milhões...
AVISO AOS FÃS DE CHICO: PARA O AUTOR, “BREGA” É ELOGIO.
Falcão prestigia os Contos Bregas
Pessoal, olha só quem foi conferir o lançamento do meu livro. Ele mesmo, o astro mega-pop brega Falcão, o prefaciador do meu livro. Eu tive a oportunidade de autografar um exemplar para ele. E perguntei como anda o movimento para mudar a bandeira do Brasil, que ele está fazendo, que visa mudar o lema da Bandeira Nacional para: “Amor, Ordem e Progresso”. A campanha está a atodo vapor. E já que estamos falando dele, encaminho abaixo o prefácio que ele escreveu para o meu livro.
PREFÁCIO
Quem é que, na vida, nunca foi agraciado com um par de chifres? Quer seja daqueles de rosca, cuja raiz ultrapassa o âmbito da caixa craniana e vai atingir em cheio o coração - deixando no sujeito a premente vontade de se enterrar vivo, se enforcar num pé de alface ou se afogar numa banheira de cachaça, ou quem nunca levou um simples fora, quando se achava o tal, durante um arrastado de asa pros lados de alguma criatura do sexo oposto?
Como a maioria de nós não é deficiente auditivo -graças a Deus! -, nessas horas desilusionativas é imprescindível uma trilha sonora adequada: páginas melódicas que, através do exemplo de vida dos respectivos compositores, venham consolar e ajudar a amenizar a dor provocada pelo nascimento de indigitadas "gaias" na testa do cidadão.
Para isso e por causa disso, principalmente, é que foi criada a dita música brega, ou seja, o indivíduo que já vive no mister artístico-criativo-lítero-musical, quando se vê afligido por qualquer tipo de traição amorosa e, logicamente, já tendo certas tendências corníferas, procura logo extravasar sua dor nos versos e notas de alguma canção. Eu tenho a impressão que é assim.
Pois bem, agora vem esse menino, o Thiago de Góes e faz a viagem de volta, isto é, depois de ter, possivelmente, usado de toda uma gama de pérolas do cancioneiro bregoriano nacional, e passado a limpo prováveis chifres e desilusões chamegativas pessoais, resolveu juntar algumas dessas peças e desenvolver estórias que podiam, muito bem, ter vindo a inspirar a confecção de cada uma das ditas cujas.
E aí é que está o supimpa e o bacana na idéia do autor! Esse é o tipo da inventiva altamente 100%!
- Mas é óbvio! Diria o leitor.
- Depois de alguém descobrir a pólvora a gente acha a coisa mais clara do universo. Diria eu.
Tenho certeza que todo mundo - e a mulher de seu Raimundo -, ao ouvir uma música qualquer, seja ela corneante ou não, há de tecer, no íntimo de seus grigumilhos imaginativos, algum enredo. Agora, inventar um livro desse quilate e com tal categoria escrevinhatória, só o Thiago de Góes.
No que eu fui lendo cada um dos vinte e tantos contos bregas aqui apresentados - eu que já me embebedei, já me emocionei e já curti muita dor de cotovelo ao som de peças como Eu te peguei no flagra, Meu ex-amor, Pare de tomar a pílula, A última canção, Sendo assim ou Cadê você, por exemplo -, fui registrando o ]criado invencionativo do Thiago para cada um desses clássicos, que agora, certamente, serão definitivos no meu imaginário.
Por fim, aconselho ao leitor, seja ele corno ou esteja na dúvida, fazer a leitura dos Contos bregas acompanhado de uma dose de cana, um tira gosto de sua preferência, uma radiola e os respectivos elepês. E veja se não é muito ótimo demais.
Falcão – Cantor Brega
Lembranças
Esta é uma das canções mais belas e tristes que eu já escutei na minha vida, tanto na letra quanto na melodia. Foi o maior sucesso da cantora cega Kátia e recentemente regravada explendorosamente por Roberta Miranda. Conta a história de uma mulher com saudades do ex-amor. em breve, a canção inspirará mais um conto brega, que colocarei aqui para vocês lerem.
Lembranças - Adriana Ribeiro (Kátia Cega)
Já faz tanto tempo que eu deixei/ De ser importante pra você/ Já faz tanto tempo que eu não sou/ E na verdade nem cheguei a ser/ E quando parti deixei ficar/ Meus sonhos jogados pelo chão/ Palavras perdidas pelo ar/ Lembranças contidas nessa solidão.
Eu já nem me lembro quanto tempo faz/ Mas eu não me esqueço que te amei demais/ Pois nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer você não/ Fomos tudo aquilo que se pode ser/ Meu amor foi mais do que se poder crer/ E nem mesmo o tempo conseguiu fazer esquecer você
Tentei ser feliz ao lado seu/ Fiz tudo que pude, mas não deu/ E aqueles momentos que guardei/ Me fazem lembrar muito que eu te amei/ E hoje o silencio que ficou/ Eu sinto a tristeza que restou/ A sempre um vazio em minha vida/ Quando relembro nossa despedida.
Contos Bregas na Bienal do Ceará - Neste sábado (26.08.06) a partir das 15h, estande da Unigráfica
No toca-fitas do meu carro
O bilhete é apenas um resquício dos velhos tempos. Espectro submerso nas entranhas do passado, buscando fôlego no sereno do futuro. A prova concreta da estupidez da vida que se foi; da pequenez de todos os sonhos frente ao gigantismo cruel, inevitável e incontestável do real.
A parda memória dos fatos nada pode mudar. Nem os pingos neutros da chuva; nem a luz insípida das estrelas; muito menos o nó quente e forte na garganta. O cosmos ignora sua dor.
Não entendia como aquelas palavras escritas não se apagaram, se tudo o que dizem não mais existe. A resistência heróica daquelas letras bem desenhadas transpirava uma ironia que lhe esganava sem piedade alguma. Não dava mais. Pôs a ponta do cigarro em contato com a folha. As chamas foram queimando lentamente os nomes de ambos, circunscritos num coração irregular.
Deu partida no carro, sem esperar que a frase “para sempre te amarei” virasse pó.
(Trecho do conto No toca-fitas do meu carro, de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Bartô Galeno)
Chorando se foi: a história de uma música trilíngüe
CHORANDO SE FOI:
A HISTÓRIA DE UMA MÚSICA TRILÍNGUE
por Thiago de Góes
Uma história interessante a da música Chorando se Foi, lambada conhecida do público brasileiro, que a ouviu na voz do grupo Kaoma, no final dos anos 80. Basta dizer que ela propiciou uma enorme briga judicial por direitos autorais, já que envolveu versões em três línguas distintas: português inglês e espanhol (Ver letras no post abaixo)
A música original, intitulada LLorando se fué, foi gravada pelo grupo folclórico boliviano Los Kjarkas, num ritmo local conhecido como saya. Em razão de os brasileiros não terem pago os direitos autorais, seguiu-se o longo conflito na justiça, que por fim deu ganho de causa aos bolivianos.
Em entrevista concedida ao jornal argentino Página 12, em 11 de novembro de 1999, o líder do grupo, Hermosa, fez as seguintes declarações sobre o conflito: "foi algo mais que um plágio. Aqueles que quiseram roubar esta saya, que tínhamos feito em 1982, tiveram uma atitude de desprezo, como quem diz há uns bolivianos aí que fizeram uma música. Vamos roubá-la". E acrescentou: "Eu não sei dançar nenhum passo da lambada, e nem quero aprender".
Mas toda essa briga não envolve apenas os dois grupos. Há mais uma figura na jogada: a cantora brasileira Márcia Ferreira, que se diz autora da versão em português e também reclama do Kaoma os direitos pela versão brasileira. A cantora mantém uma página na internet, onde estão desponíveis várias notícias e opiniões publicadas em jornais do Brasil e do mundo, que dão conta da enorme briga judicial internacional decorrente das gravações de Chorando se Foi.
Todos sabemos do sucesso internacional alcançado pela lambada. Foi em conseqüência do tamanho deste sucesso que a música ganhou uma versão na língua inglesa. Intitulada The Lambada, a versão inglesa foi gravada pelos cantores Cutty Ranks e Wayne Wonder e incluída na trilha sonora do filme americano The Lambada, The Forbiden Dance.
Casos recentes na música popular brasileira também geraram polêmica em relação aos direitos autorais. A música Morango do Nordeste, que chegou aos ouvidos do grande público brasileiro através da voz de Lairton e seus teclados, é o exemplo mais evidente. Inúmeras versões foram gravadas por uma grande quantidade de bandas e cantores, em diversos ritmos distintos, abrindo espaço para os conflitos judiciais.
Link permanente para este post:
http://contosbregas.zip.net/arch2006-08-01_2006-08-31.html#2006_08-22_09_20_43-8564639-28
Chorando se foi - VERSÕES
CHORANDO SE FOI (KAOMA)
Chorando se foi
Quem um dia só me fez chorar (Bis)
Chorando estará
Ao lembrar de um amor
quem um dia não soube cuidar(Bis)
A recordação vai estar com ela aonde for
A recordação vai estar pra sempre aonde for
Dança, sol e mar, guardarei no olhar
O amor faz perder e encontrar
Lambando estarei, ao lembrar deste amor
Por um dia, um instante, foi rei.
LLORANDO SE FUE (LOS KJARKAS)
Llorando se fué
Y me dejó sólo sin su amor(Bis)
Sólo estará , recordando este amor
El tiempo no puede borrar
Sólo estará , recordando este amor
Que el tiempo no puede borrar
La recuerdo hoy
Y en mi pecho no existe rencor
La recuerdo hoy
Y en mi pecho no existe rencor
Lejos estará, recordando el amor
Que un día no supo cuidar
THE LAMBADA (ENGLISH FROM MOVIE VERSION/ CUTTY RANKS &WAYNE WONDER)
Now he's gone away, only man who's ever made me cry,
Not so far away, far enough to make me want to die
Crying over me/ is what he's going to be
when he's hit by the need of my love
Crying he will be/ whem he's dreaming of me
And decides that he needs what was lost
All the memories, follow me wherever I may go
Haunting melodies, playing in the night to let me know
Dance along with me/ with the sun and the sea
Only love makes one fell so sublime
Do a dance with me/ To a love fantasy
That for one precious moment was mine
Dance along with me/ Mr. Sun, Mr. Sea
Keep the feeling so strongand so tender
Do a dance with me/ To a love Fantasy
Just for one day of total surrender
Só mais uma vez. Amanhã, talvez!
AMANHÃ TALVEZ
Por Thiago de Góes
Só mais uma vez, amanhã talvez. Só mais uma vez, o amor que a gente fez. (Joanna)
Pelo interfone, ela pediu a primeira das três fantasias descritas na contra-capa do menu. Ao lado da cama, girou um pequeno botão, acionando o ar-condicionado. O som rouco do aparelho adentrou-se imponente na suíte presidencial, enquanto a moça girava o botão do rádio, fazendo soar uma antiga canção romântica.
Ela diminuiu a intensidade da luz e manteve-se na penumbra amarga de suas recordações. Sozinha, lembrava daquele que prometera chegar a poucos instantes, após uma longa e tensa negociação, posta a cabo no dia anterior.
É verdade, ela ainda nutria esperanças. Tanto que o semblante sombrio iluminou-se de vida quando por fim o rapaz cedeu às fortes e persistentes pressões e disse cansado “está bem, eu vou”. E mesmo quando ele acrescentou com firmeza na voz dizendo “mas é a última vez”, ela ainda acreditava que poderia fazê-lo retroceder em suas últimas decisões.
E no meio destas vãs lembranças, ela ouviu soar a campanhia. “É ele!”, pensou por um momento. Era a camareira, no entanto, que lhe trouxe a fantasia pedida. A moça agradeceu discretamente e então começou a trocar-se.
Rapidamente livrou-se da calça “blue jeans”, da camisa de seda branca, e das peças íntimas de cima e de baixo. Então se viu empunhando uma capa negra com detalhes dourados na borda, uma diminuta calcinha, meia-calça transparente e salientes dentes caninos postiços.
Fez pose sensual no espelho. E pela primeira vez sentiu-se poderosa e sedutora. Imaginou que pudesse talvez hipnotizar o seu amado, fazendo-o rastejar aos seus pés, ele mesmo a quem se humilhara tantas vezes, implorando por migalhas de carinho. E riu-se no pensamento do rapaz lambendo-lhe humildemente os dedões do pé.
CONTINUA NO POST ABAIXO
Só mais uma vez. Amanhã, talvez!
E na fantasia esqueceu-se das tantas vezes em que já fora traída, mesmo com as melhores amigas e até mesmo com uma prima de segundo grau. Porém, não deixou escapar que ele já estava atrasado em mais de meia hora.
“Não vou ligar”. Ligou. Deixe seu recado na caixa postal.
“Você não vem? Você me prometeu que vinha. Você me prometeu! Não faça isso comigo. Por favor, você me prometeu... Venha, por favor. Você não vai se arrepender. Eu juro que é só por hoje. Eu juro, meu amor. Eu juro... Nunca mais eu procuro você, eu juro. Você pode esquecer que eu existo, mas venha, por favor. Só por hoje... Venha, eu imploro. Prometo sumir da sua vida. Eu preciso de você. Eu preciso do seu amor. Venha, por favor... Você me prometeu...”.
Ela desligou, mas ainda disse “você me prometeu” uma dezena de vezes, enquanto chorava aos soluços. Uma das vezes ela gritou tão alto que teve medo de ter sido ouvida pelos vizinhos. Foi quando decidiu pedir a segunda fantasia.
Calcinha e sutiã brancos e bordados, um par de asas pequenas e uma auréola prateada. Ela recobrou-se um pouco e ligou novamente. Deixe seu recado na caixa postal.
“Tudo bem, eu aceito. Você pode fazer o que quiser. Pode ter outras mulheres, quantas conseguir. Eu não ligo, desde que não me deixe. Pode até arranjar outra namorada e me fazer de amante. Eu aceito deixar de ser oficial. Mas, por favor, não me abandone. Não me deixe! Por favor! Estou aqui te esperando onde combinamos. Venha. Por favor, venha pra mim. Te amo!”.
Ela foi ao frigobar e abriu uma garrafa de vinho tinto. A anjinha pôs a boca no gargalo e bebeu grandes goles. O pensamento “ele está chegando” não lhe saía da cabeça. “Ele está chegando”, mas não chegava nunca. Ela bebeu mais. E manchou de vinho a fantasia, imaginando que ele pudesse atrair-se daquela ninfeta angelical. Embriagou-se rapidamente e cansou de ser santa. Pediu então a terceira fantasia.
Chifres vermelhos, rabinho pontudo e chicote negro. Deixe seu recado na caixa postal.
“Olha aqui, seu canalha. Seu cachorro! Seu nojento! Seu crápula! Seu imbecil! Venha logo, que eu só te quero por hoje. Eu vou fazer miséria com você, mas depois te jogo fora. E sabe de uma coisa? Se não quiser vir não venha. Se quiser, venha que eu vou dormir aqui. Seu idiota! Não sabe o que ta perdendo...”.
Ela desligou e deixou-se cair na cama, os chifres perderam-se por debaixo do travesseiro. Sentiu uma vontade imensa de vomitar, mas não conseguiu levantar-se e então fez por ali mesmo. E dormiu por ali mesmo, no meio daquele resto de jantar requentado.
Ficou adormecida por um longuíssimo período. Uma hora o interfone tocou. De súbito, ela acordou afoita. “É ele”, pensou.
“Desculpe-me, minha senhora, mas o período de seu pernoite terminou. Houve alguma consumação?”.
Ela faz uma pausa e disse.
“Houve, sim”.
“O que foi?”.
“Minha alma”.
“Sua alma o quê?”.
“Minha alma foi consumida...”.
FIM
Entrevistei dois astros da música brasileira!
Republico post do ano passado com uma entrevista fictícia que fiz com dois grandes astros da música brasileira.
Na voz de um, qualquer música chique vira brega. Na voz do outro, qualquer música brega vira chique. Reginaldo Fossi e Caetano Zeloso são os dois expoentes da música brasileira que representam “aparentemente” padrões estéticos extremamente opostos. Quem já ouviu os arranjos refinados e recheados por solos de violinos adaptados por Zeloso para canções até então ditas popularescas sabe que para ele não existe nada mais chique que a música brega. Quem já ouviu clássicos da música internacional cantados pela voz rasgada e debochada de Fossi sabe que para ele não existe nada mais brega que a música chique. A redação de Contos Bregas recebeu os dois astros da música brasileira para esta entrevista que nos deixou divididos entre a breguice do chique e a chiqueza do brega.
Contos Bregas – Para vocês, o que é brega e o que é chique?
Reginaldo Fossi – Olha, só no Brasil é que inventaram essa coisa de brega e de chique. Você canta Yesterday, que não passa de uma tremenda dor de cotovelo, e é chique só porque está em inglês. Se fosse em português era o maior bregão da vida. Então não tem porque essa coisa de tachar uma música disso ou daquilo. Eu não ligo para isso. Eu canto é pro povo. O povo é quem sabe das coisas...
Caetano Zeloso – Mas o Fossi está com a razão. É isso mesmo que ele disse aí e muito mais, entende? Quando eu gravei Vicente Celestino no disco da Tropicália, eu já sabia da importância criativa da estética brega na música popular brasileira. Eu sabia disso já. Eu sempre soube disso. Agora, esses falsos intelectuais de araque, metidos a críticos sabichões, é que não entendem absolutamente nada dessa coisa toda. É contra essa hipocrisia chula que eu não vou parar de gritar. O povo brasileiro é muito maior do que qualquer coisa que possa aparecer em qualquer crítica de qualquer idiota letrado!
CONTINUA NO POST ABAIXO
Entrevistei dois astros da música brasileira!
Contos Bregas – O que o povo brasileiro gosta de ouvir então?
Reginaldo Fossi – Eu vou dar um exemplo: eu poderia ter escrito o Garçom dizendo assim: “Garçom, eu sei que estou lhe aborrecendo, mas todo ébrio torna-se inconveniente, corajoso e com toda razão”. Mas o povo ia saber que não era autêntico, sabe? Então, bicho, não tem porque ficar reinventando a roda, sabe? Caetano deve saber disso e está aqui pra não me deixar mentir...
Caetano Zeloso – E eu digo mais, Fossi. Nós temos que acabar com essa história que a sigla MPB é uma nomenclatura para uma música de elite que fosse supostamente superior a qualquer outra vertente musical. Isso me incomoda profundamente, para quem não sabe. Profundamente! É um tremendo absurdo rotular fulano de tal de MPB, querendo transparecer que se trata de uma grife sonora. As pessoas que defendem isso merecem prisão perpétua, sinceramente. Prisão perpétua...
Contos Bregas – Ouvindo assim vocês falarem, dá até para pensar que vocês não seguem linhas opostas musicalmente, tamanha é a afinação entre seus discursos... Algum de vocês seria capaz de gravar um disco só com canções do outro?
Caetano Zeloso – Mas nós estamos muito mais afinados do que você pensa. Eu vou dizer aqui em primeira mão que o próximo projeto de Caetano Zeloso é gravar um disco e DVD ao vivo com Reginaldo Fossi Será uma grande revolução e um enorme sucesso. As pessoas vão se dar conta de que há mais coisas entre o brega e o chique do que sonha nossa vã filosofia; e de que não há como resistir à irreverência e autenticidade do que é aparentemente grotesco e escatológico, porque não há nada mais brasileiro do que isso tudo. O Brasil é brega. Totalmente brega e isso é lindo! Chacrinha já sabia disso. O velho guerreiro já sabia disso. Que Deus o tenha...
CONTINUA NO POST ABAIXO
entrevistei dois astros da música brasileira!
Reginaldo Fossi – Olha, eu só vou dizer uma coisa: quando você ouvir a minha versão para Sampa, você vai cair pra trás. Porque essa música retrata o drama do meu povo nordestino, sabe? Um povo sofrido que vai para a cidade grande em busca de uma vida melhor... Então, bicho, eu gravei Sampa com toda emoção que podia. A Roberta Miranda chorou quando ouviu. Sérgio Reis foi aos prantos. É uma loucura...
Contos Bregas – Eu estou pasmo. Esse vai ser o grande furo do ano... Vocês já têm alguma estratégia de divulgação?
Reginaldo Fossi – Na verdade, eu sou um cara que não preciso desse negócio de divulgação, sabe? No meu show não tem mulher mostrando a bunda e eu nunca deixei de fazer sucesso. Sou eu, minha banda, o povão e nada mais. O público ama o Reginaldo Fossi. Michel Jackson na minha frente é uma merda. Eu requebro mais que a Carla Peres. Sou mais sensual que a Madonna. E mais bonito que o Leonardo Di Caprio!
Caetano Zeloso – Por falar nisso, eu devoraria o Leonardo Di Caprio... Ou não...
Contos Bregas – Bem... mas vamos mudar de assunto! Como vocês encaram a questão da traição?
Caetano Zeloso – Eu diria que a infidelidade sempre esteve presente em todas as culturas. Ou para ser mais exato, é uma coisa essencialmente humana. Agora, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... Eu só espero que eu não venha a ser novamente. Mas se for, paciência... Nessas horas, nada melhor do que ouvir Reginaldo Fossi...
Reginaldo Fossi – Olha, tem um ditado aqui no Nordeste que diz que todo castigo pra corno é pouco. E é verdade. Homem tem que saber cuidar da mulher. Homem é tudo frouxo. Vive chifrando, mas no dia que leva um cano já quer brigar, bater, matar. Não pode... Mulher é pra ser tratada com carinho. Sempre. Se não abre espaço pra concorrência...
Contos Bregas – Pra finalizar, como cada um definiria a trajetória musical do outro?
Reginaldo Fossi – Esse cara é uma sumidade. Você chega lá na Bahia, sabe, no Rio de Janeiro ou São Paulo, em qualquer lugar do Brasil o cara é respeitado. Então a música brasileira, bicho, deve muito a esse cara!
Caetano Zeloso – Reginaldo Fossi representa o que de melhor tem na cultura brasileira e especialmente na cultura nordestina. Eu invejo imensamente sua capacidade de comunicação e empatia com o público. O mundo precisa conhecer Reginaldo Fossi!
FIM
Eu já disse que não estou bêbado!
eu estou sóbrio, porra! melhor do que vocês! por que roubaram minha chave? não acham que posso dirigir essa merda? eu estou em condições, porra! eu posso dirigir!
calo não! venha calar minha boca você, seu imbecil! vocês estão rindo porque não foi com vocês! mas ela vai me pagar, aquela safada! três anos jogados fora. peguei no flagra! ela por cima dele. precisava ver a putaria. o gemido nas alturas. corno é a mãe, seu filho da puta! esquecer uma ova! eu quero vingança! vingança, porra! eu não merecia isso. eu quero morrer! eu vou morrer! eu vou pular do carro! eu já disse que não estou bêbado, porra!
(Trecho do conto o Ébrio, de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Vicente Celestino)
Contos Bregas em Mossoró (RN)
Pessoal,
Segue abaixo matéria sobre a participação dos Jovens Escribas, selo literário do qual faz parte os Contos Bregas, na programação da II Feira do Livro de Mossoró. A matéria foi publicada no jornal O Mossoroense, edição de 12.08.2006.
Brega, Romance e Mentira
Retirado de http://www2.uol.com.br/omossoroense/120806/conteudo/cotidiano.htm
Você é brega? Tudo bem. Não é? Tudo bem, também. Se tem predileção por romance ou é adepto de mentiras, você não pode deixar de conferir o bate-papo que será realizado neste sábado a partir das 18h no Espaço Leitura da II Feira do Livro, de Mossoró. Depois do bate-papo, os escritores estarão lançando os seus livros que recebem o Selo Jovens Escribas, no espaço literário da Feira, na Estação das Artes.
Com o tema "Jovens Narrativas: do blog ao livro" os escritores Thiago de Góes (Contos Bregas) e Patrício Júnior (Lítio) vão debater assuntos ligados às influências da literatura contemporânea e as diferentes narrativas empregadas por novos escritores.
No bate-papo de logo mais à noite, os autores vão discutir, também, o que está sendo empregado pelos novos escritores quando se trata de contos, romances, textos curtos e longos. Televisão, internet e cinema, podem contribuir. Mas de que maneira?
Thiago Góes e Patrício Júnior, ao lado de Carlos Fialho são membros do grupo Jovens Escribas que tem publicado ao longo de sua história, livros de autores norte-riograndenses com a ajuda da Lei Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura e patrocínio da Art&C e do Banco do Nordeste.
Um resumo dos livros que serão lançados hoje
Os três livros que serão lançados logo mais à noite recebem o Selo Jovens Escribas, uma instituição formada por escritores ávidos pela divulgação de suas obras, seus textos e idéias.
Confira uma pequena sinopse das obras que o público que for à Feira do Livro poderá conferir.
"CONTOS BREGAS" - É um livro com aproximadamente 200 páginas onde o seu autor é o escritor e jornalista Thiago de Góes, fã incondicional do mundo brega, que apresenta 25 contos desse mundo irreverente. De tudo um pouco: desilusões amorosas, traições, ciúmes, prostituição, conflitos familiares, rosas vermelhas, dores de cotovelo, bota e fivelão. Na discoteca, sucessos de Falcão e Reginaldo Rossi.
LÍTIO - Romance produzido pelo autor Patrício Jr. o livro conta a história de dois desconhecidos, onde um deles tenta impedir o suicídio do outro. Discute ainda valores da vida moderna como igreja, família e capitalismo que são contestados com muito sarcasmo e crueldade. "Toda unanimidade é burra, dizem por aí. É como dizia uma pichação que vi num banheiro público: "Vamos comer merda: milhões de moscas não podem estar erradas". É uma citação do livro que será lançado hoje à noite. Vamos conferir.
"É TUDO MENTIRA" - Trata-se de um livro para ser lido com bom humor. É uma qualidade imprescindível a quem se aventurar pelas páginas da segunda obra de Carlos Fialho, lançado pelo Selo Jovens Escribas.
"É tudo mentira" vem com uma qualidade que o primeiro livro "Verão Veraneio" não tinha. Os textos agora são mais trabalhados, com mais recursos estilísticos e até mesmo com idéias desenvolvidas de forma mais pensada.
BregaNews
Muito brega, muito chique
Jornal A Cidade - 8 ago. 2006
A música erudita perdeu um tenor, o mundinho brega ganhou um simpático falastrão e o teatro e a TV um aspirante ao gênero comédia. ...
Raio X de um ídolo popular
Music News - 8/8/2006- Por Futrico - Alto Falante - Toninho Spessoto
A Trama segue disponibilizando em DVD o valioso acervo do programa Ensaio. (...) chega a vez de Amado Batista, um dos maiores vendedores de discos do Brasil. O programa do cantor goiano foi gravado em 1994. Além de contar curiosidades sobre a vida e carreira, Amado canta alguns de seus maiores sucessos, casos de O Fruto do Nosso Amor (Amor Perfeito), Desisto (Obrigado a Desistir), O Acidente, Vem Morena, Princesa, Sol Vermelho e Não Quero Falar Com Ela.
Reginaldo Rossi atrai multidão ao Centro Histórico da Capital
João Pessoa Governo Municipal - 6 ago. 2006
... sexta-feira (4), com a participação de um grande público atraído pelas opções de lazer e diversão, entre elas o show do 'rei do brega', Reginaldo Rossi. ...
Joelma e Chimbinha falam do fenômeno da Calypso pelo Brasil e do show em Belém
O Liberal - Belém - 30 jul. 2006
... O que vocês diriam para os paraenses que criticam que apenas o ritmo calypso ou brega apareça como destaque da música paraense no Brasil? ... Gostar de brega? ...
Debatendo blogs no R. G. Norte
Olá bregueiros de todo o mundo,
Uma novidade pra vocês. Neste sábado, 12.08, eu participarei de um debate na Feira do Livro de Mossoró, juntamente com Patrício Jr., autor do ótimo romance Lítio, também do selo Jovens Escribas. O tema do debate será “Jovens Narrativas: do blog ao livro”.
Nós vamos abordar a influência dos blogs na literatura contemporânea. O debate veio em boa hora, pois estou lendo uma dissertação de mestrado da PUC-RJ chamada “As Múltiplas faces dos blogs: um estudo sobre as relações entre escritores, leitores e textos”, de autoria de Flavia Di Luccio.
Segundo ela, os blogs representam a terceira revolução na escrita e na leitura. As primeiras revoluções foram ocasionadas pelos suportes textuais: rolo, códice manuscrito e o códice impresso, com a invenção da imprensa de Gutemberg. A maior de todas essas revoluções foi a escrita digital capitaneada pelos blogs, que possibilita uma enorme interação entre autores, leitores e textos, com todas as permutações possíveis.
Uma curiosidade: no tempo dos livros de rolo, os processos de escrita e leitura eram totalmente separáveis, pois para ler o rolo, era preciso desenrolar a parte não lida com uma mão e enrolar a parte lida com a outra.
Ou seja: não se podia ler várias obras, fazer anotações, comparar trechos, fazer consultas etc. E outra: o escritor não escrevia. Entenderam? Quem escrevia era o escriba. O escritor apenas ditava o livro para o escriba. Pense numa mão de obra...
Outra novidade. Meu livro Contos Bregas estará à venda na 7ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, que acontece entre 18 a 27 de agosto, no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza. Bregueiros e leitores cearenses interessados em histórias trágicas e engraçadas, podem dar um pulinho no estande da Unigráfica.
Só mais uma: a vencedora do concurso “Você consegue ver o brega?” foi a Vanessa, que acertou cinco músicas na figura. Ela vai ganhar um exemplar do meu livro Contos Bregas. Parabéns, Vanessa! Mande seu endereço para thiagodegoes@bol.com.br, para que eu possa enviar o livro pelo correio.
Link permanente para esse post:
http://contosbregas.zip.net/arch2006-08-01_2006-08-31.html#2006_08-10_10_04_24-8564639-0
Todo mês, no dia certo
Aconteceu no Rio Grande do Sul: Viúva obrigada pela justiça a dividir pensão com amante do marido. Ou seja: traição legalizada. Mas esta foi uma pensão por morte. Há também a pensão alimentícia, que é tema da nova canção de Odair José.
Em Detalhes, Roberto Carlos afirma acreditar que a ex-mulher pensa nele ao fazer amor com um outro homem. Pura ilusão. Odair José é mais realista. Ele sabe que “todo mês, no dia certo”, ela se lembra dele. Odair é um gênio da canção popular, que consegue resumir, numa pequena e simples frase, uma situação complexa e delicada.
“Na sua conta do Banco, meu valor nunca tem fim”. A frustração de um homem rejeitado quando lamenta ser lembrado apenas no dia do pagamento da pensão alimentícia. É cruel, não é mesmo? Ele acaba identificando-se metaforicamente com o produto que lhe custa dividendos, mas que, ao mesmo tempo, salva-lhe do total esquecimento: “Sou pensão alimentícia, o resto não lhe interessa”. Alguém queria um consolo destes para si?
Acho que esta lei pressupõe uma dependência da mulher em relação ao homem. Talvez absorva o mesmo princípio das leis de reserva de vagas para negros nas faculdades. Creio que, quando o Estado tenta corrigir por decreto uma injustiça real, acaba sendo ele mesmo preconceituoso.
Melhor seria um mundo no qual não houvesse estas injustiças e, como conseqüência, não houvesse a necessidade de leis para corrigi-las. Quem sabe um dia viveremos num mundo no qual as oportunidades e condições de trabalho sejam iguais para homens e mulheres? Assim não haveria necessidade de pensões, pois cada um seria capaz de cuidar de si mesmo sem depender dos demais...
Pensão Alimentícia (Odair José)
Todo mês, no dia certo/ Você se lembra de mim/ Na sua conta do Banco/ Meu valor nunca tem fim/ Na sua vida, eu já sei/ Minha importância é só essa/ Sou pensão alimentícia/ O resto não lhe interessa
Eu acho que nunca passei/ De um brinquedo sem uso/ Se teve amor, ao eu amei/ Pra você fui um intruso
O tempo passa, não tem nada, não/ Deixa acontecer/ Quem sabe, um dia, você possa perceber/ Que eu pago a pensão/ É pensando em você
Quando a gente estava junto/ O pensamento era nós dois/ Eu agora me pergunto/ O que aconteceu depois?/ O que foi feito da amiga? E cadê a doce amante?/ Se transformou numa inimiga/ Uma pessoa intolerante
Link permanente para este post: http://contosbregas.zip.net/arch2006-08-01_2006-08-31.html#2006_08-08_12_08_16-8564639-28
Música brega invade You Tube
Uma viagem na bregosfera!
Pessoal,
Decidi fazer uma viagem nos poderosos mecanismos de busca na Internet para ver o que andam falando dos Contos Bregas por aí.
A primeira parada foi nos meus blogs irmãos, ou seja, aqueles que também tratam do fenômeno da cultura brega no Brasil e no Mundo.
Então parei pra descansar um pouco na pousada do Bregorama, onde vi muitas fotos e coisas bizarras e conclui: “chique é ser brega”. Depois fui tomar um sorvete gelado na bodega da Fina Flor do Brega, onde pude deliciar-me com o melhor do pior da cultura brega e ainda levei de brinde um lindo pingüim de geladeira.
E como fiquei com muita sede, fui tomar água em copo de geléia lá no bar do Jovem Guarda Brega, onde pude ouvir umas canções antigas de uma turma que é brasa mora. Foi só botar umas fichinhas no Jukebox.
Aí como eu já tava doido pra bregar, dei um pulinho nos Versos Toscos, onde pude ler “as letras de músicas mais, hmm, singelas da MPB, e por último nos Sucessos Bregas, onde pude ouvir muitos “Sucessos do Passado Presentes em Nossa Memória”.
Então eu segui rumo à próxima parada. Mas antes passei no Blog do Avarento para pegar umas dicas de economia em viagens. O cara me ajudou bastante e ainda me indicou outros especialistas, como Meus documentos, Profissão Estepe e Terra Natal.
Na rodoviária, perguntei para o guarda municipal se ele já tinha ouvido falar num livro chamado Contos Bregas, só para testar se meu livro fazia sucesso na cidade. Ele me disse que já pegou o Xoxo Piriquita e o Saudadeee comentando sobre a obra. Eu fiquei muito feliz. Marquei um Estranho Encontro entre os dois e fiquei escondido no Pântano do Sarneba, para ver se rolava alguma Interação Uol Blog entre este casal de leitores.
Mas não gosto muito de esperar e do pântano fui para o Jardim de Violetas. Aí deu uma vontade imensa de ler alguma coisa. Então passei lá nos Jovens Escribas e na Suíte das Letras e li muitos contos excelentes e notícias de vários lançamentos.
Depois de ler bastante, decidi me confessar lá no Seminarista Revolucionário. Ele me disse que eu parasse com tanta Desmemorias e Autofagia. Então eu decidi fazer um Blogup geral na minha vida e fui me aconselhar com A Dona do Umbigo, que me ofereceu umas Coisas da Jujuska, mas eu não tinha onde levar e fiquei lendo o CV assim ve - Journal por alguns instantes.
O dia foi muito corrido e passou rápido. Mas, como vêem, a viagem foi bastante proveitosa!
Você consegue ver o brega? RESPOSTAS
Homem aponta para uma nuvem
Aquela Nuvem
Gilliard
Mulher aguarda o navio chegar
Secretária da Beira do Cais
César Sampaio.
Homem retira mulher do prostíbulo
Eu vou tirar você deste lugar
Odair José
Homem flagra mulher com outro na cama
Eu te peguei no flagra
Genival Santos
Mulher na cadeira de rodas descansa na calçada
Cadeira de Rodas
Fernando Mendes
Homem ouve música romântica dentro do carro
No toca-fitas do meu carro
Bartô Galeno
Homem desabafa mágoas com o garçom
Garçom
Reginaldo Rossi.
Boêmios apontam para um amigo que vem chegando
A volta do boêmio
Nelson Gonçalves
Carro vermelho estacionado na rua
Mercedão Vermelho
Maurício Reis
Telefone público chora
O telefone chora
Márcio José
Homem vê mulher morrendo no hospital
Amor Perfeito
Amado Batista
Carro preto estacionado na rua
Fuscão Preto.
Almir Rogério
Mulher carrega homem de quatro pela coleira
Eu não sou cachorro, não
Waldick Soriano
O Telefone chora
“Mamãe, quem é meu pai?”.
Ouvi palavras titubeadas, entrecortadas, gaguejadas, prenúncios evidentes do choro vulcânico. Insustentáveis desculpas que se dissolveram no calor das primeiras lágrimas, antecipando a mudez envergonhada no rosto cabisbaixo.
Naquele momento, lembrei-me do rapaz que costumava ligar para minha mãe, na minha infância. E de repente dei-me conta do quão displicente havia sido ao ignorar aquela pista que jazia perdida bem debaixo do meu nariz. Ele dissera, agora me lembro com clareza, que me julgava ter sete anos de idade, o tempo que amargava uma tristeza profunda. Por Deus, como pude desprezar este erro de cálculo e ato-falho revelador? Eu tinha apenas seis anos. Seis, sem contar com o período de gravidez.
“Mamãe, o homem dos antigos telefonemas é meu pai?”.
Sim, aquele homem, que fazia perguntas e colocações que minha condição infantil não era capaz de decifrar, era meu pai. Aquela voz era meu pai. Aqueles pulsos telefônicos eram meu pai. Aquelas palavras aparentemente desconexas eram meu pai. Meu pai, perdido no infinito de reminiscências infantis...
“Mamãe, por que ele nos abandonou?”.
Ela não sabia. Mas, com o tempo, preferiu acreditar que ele era um cafajeste profissional. Homem casado que fugira da responsabilidade sobre um filho bastardo, logo ao saber da gravidez. Pai ausente que se escondia covardemente por trás do confortável anonimato das ligações interurbanas.
(Trecho de O Telefone chora, conto de Thiago de Góes, inspirado na canção homônima de Márcio José)