Zé do Caixão fez o filme que mais me impressionou!

Um dos filmes do cineasta José Mojica Marins chama-se O Estranho Mundo de Zé do Caixão.

 

Num dos três episódios deste filme, chamado Ideologia, o personagem Oaxiac Odéz, ou Zé do Caixão ao contrário, tenta provar a seguinte tese: o instinto prevalece sobre a razão!

 

Para isso, separa um casal, colocando marido e mulher em celas separadas. Eles ficam sete dias passando fome e sede. No sétimo dia, Oaxiac Odéz reúne o casal faminto e corta a jugular do marido, que não podia lutar, pois estava todo acorrentado.

 

O que a mulher faz? Tenta salvar o marido?

 

Não. Ela mata sua sede bebendo todo o sangue que escapa da jugular de seu amado!

 

Dessa forma, Oaxiac afirma que provou para a mulher que os instintos humanos são sempre mais fortes que a razão.

 

Este foi o filme que mais me impressionou em toda a minha vida, pelo satanismo de sua tese e pelo modo selvagem com que o personagem tenta prová-la. A vida não deve ser assim. Somos providos de razão e devemos cultivá-la!

Blogueiro compara Odair José com Zé do Caixão

Pessoal,

Tempos atrás, eu descobri este interessante blog: o putaquepariu. Ele é escrito por Bruno Azevedo, dono de original estilo e conteúdo ultrabrega. O excelente texto que transcrevo abaixo é de autoria do cara e também pode ser lido nesse post do blog dele.

 

Odair José e Zé do Caixão são dois ícones do brega nosso de cada dia. Um na música, outro no cinema. A análise comparativa que Bruno estabelece entre os dois é simplesmente magnífica. Não deixem de ler!

 

Obsessão e morte em Odair José e Zé do caixão
por Bruno Azevedo - padrefagundes@hotmail.com

 

Zé do caixão é um clássico personagem de terror, mas quem tem o nome no título é o Odair, josé... o terror das empregadinhas.


Em Odair se confunde ternura com terror e o pobre Mojica fica relegado à cova da comédia, o que é uma grande injustiça.


No frigir dos ovos, no cagar dos pintos, estão os dois em busca da mesma coisa... do amor.
Odair de forma mais descarada, tendo o amor como seu único e exclusivo assunto, por todas as vias (isso mesmo) e sem restrição de classe ou estamento social. Odair ama porque o amor é inevitável, ama porque, se dão, o cara tem que comer.

Já Zé do Caixão busca o amor por sua forma mais fatal, mais biológica... o rebento!


Zé se realiza e existe através do filho perfeito, daquele que dará continuidade à sua obra (mesma obra da qual ele nunca falou. Muito prudente o Zé: de nada vale uma obra deixada pela metade), e para isto precisa encontrar a mulher perfeita, gostosa e com sangue de barata (num erro de cálculo fudido. Zé deveria procurar uma mocréia, mocréia com um recessivo bom, porque mias com mais dá menos!). Zé tem o amor na base da taca e do chicote, canta mulher do amigo e mata o amigo se a mulher não liberar, pro Zé ou dá ou desce, é um amor cru, movido pelo mais básico instinto e preceitos bíblicos.

No mesmo caso cai o Odair, que para falar de amor tem sempre que falar de parto.
É um “pare de tomar a pílula” (empata parto), “um então vi você morrendo sem puder me despedir” (parto trágico), “hoje ela está comigo e esperando um filho meu” (parto eminente), “na hora do parto eu chorei” (parto da globo).

 

O amor sem filhos não é amor para Odair, se Odair faz, Odair assume. Odair se rebela com o mundo, com a tecnologia, com a sociedade, com deus que inventou a regra mensal e com as fêmeas que não liberam a bacurinha e não admitem que o amor para Odair é no osso, e venha o que vier!

Enquanto isso Zé do caixão come um monte de gente e nada vinga, quando vinga ele mata porque a mulher não consegue dormir com caranguejeiras ou alguém mata porque a mulher já era de outro.

Olhando pros dois agora, fudidos, depois de fazer um monte de coisas, o Zé que se deu de bem. Ao menos pensão ele não vai ter que pagar!

Filme brega traz Diana na trilha sonora

A matéria abaixo foi retirada do Globo Online desta terça-feira, 28.11.06, com assinatura de Bianca Kleinpaul. O endereço dela é http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2006/11/28/286818375.asp

Quem é bregueiro não pode perder esse filme. 

Trilha sonora de filme de Karim Aïnouz é uma viagem ao passado e ao 'kitsch' nordestino
Publicada em 28/11/2006 às 13h14m
Bianca Kleinpaul - O Globo Online 

RIO - Karim Aïnouz avisa: quem souber do paradeiro da cantora Diana, por favor, entre em contato. Desde a escolha de "Tudo que eu tenho" como a canção principal de seu filme "O céu de Suely" - considerado uma das melhores produções brasileiras do ano -, o diretor está à procura da intérprete desta versão de "Everything I own". Ex-mulher de Odair José, voz aguda e cabelos cacheados louros, Diana, espécie de Roberto Carlos do pop-brega dos anos 70, está perdida na multidão.  

Quem sabe, estava.  

Graças à sensibilidade do cineasta cearense, os 44 mil espectadores que já assistiram ao filme nas suas duas semanas em cartaz (e só com dez cópias pelo país) relembraram ou tomaram conhecimento da existência de Diana. A canção com o refrão chiclete-adocicado "Tudo que eu tenho meu bem é você/ sem teu carinho eu não sei viver/ volte logo meu amor" ( ouça aqui ) está logo no comecinho do filme e serve para apresentar tanto a brandura quanto a força da personagem de Hermila Guedes (a Hermila/Suely do filme).  

"Tudo que eu tenho" é a versão de Rossini Pinto para a canção composta por David Gates. A música foi imortalizada por Bread ( ouça aqui ) nos anos 70 e ganhou vários versões mundo afora, como a de Boy George ( assista ao clipe ). Foi gravada aqui no disco "Diana" (CBS), em 1972, sob direção artística de ninguém menos que Raul Seixas. O maluco-beleza foi parceiro, inclusive, em outro clássico do repertório de Diana: "Ainda queima a esperança".  

O disco foi parar nas mãos de Karim Aïnouz tempos atrás. Ao ouvir "Tudo que eu tenho", não houve dúvida. A música, segundo ele, tem a delicadeza e a potência da personagem. É para ser ouvida, assim como o filme deve ser assistido, com o coração cheio de generosidade. 

- Gosto de trabalhar com a "contramúsica". É bom fazer o espectador lembrar a canção para lembrar o filme - revela o diretor que, já na sua estéia em longas com "Madame Satã" (2002), resgatava canções perdidas da Época de Ouro do samba regravando Ismael Silva, Noel Rosa e Ari Barroso.  

Comunidade de Diana no Orkut pergunta sobre a cantora

Karim Aïnouz escolheu todas as canções de "O céu de Suely" pessoalmente. Se "Tudo que eu tenho" foi incluída ainda com o filme no papel, outras músicas só vieram quando Karim estava ensaiando no interior do Ceará.  

- Queria saber qual era o hit do Nordeste em julho de 2005 (época das filmagens). Tinha três músicas chicletes, mas a que tocava em todas as cidades do interior era "Não vou mais chorar" , do Aviões do Forró - conta Karim, que usou a música na cena de Hermila no karaokê. - Acho muito engraçado... Nordeste tem uma trilha sonora por estação, é sazonal.

Entre Diana, Aviões do Forró, Rei do Calypso (Lairton) e até versão em forró eletrônico de um hit de Natalie Imbruglia (ouça "Blá blá blá" ), há uma música minimalista do alemão Lawrence, "Somebody told me".  

- Ouvia quando morava em Berlim e achei linda e infantil como a cena de Hermila na garupa da moto de João - conta Karim.  

Para ele, a trilha de "O céu de Suely" retrata a complexidade de significados presente no sertão brasileiro contemporâneo.  

- É impressionante a quantidade de versões de músicas americanas transformadas em forró ou no chamado tecnobrega. Acho uma provoção pegar um hit americano e transformar em outro produto, muitas vezes com letras totalmente diferentes das originais. E por que não chamar esta música de autêntica na cultura nordestina? - indaga Karim sobre essa moderna e muitas vezes ignorada antropofagia do Nordeste.  

Apesar do sucesso das músicas de "O céu de Suely" -não há quem saia da sala de cinema sem cantar o refrão de "Tudo que eu tenho" -, o filme ficará sem CD. Para conseguir lançar um disco da trilha sonora, é necessário muito dinheiro para os direitos autorais. Várias músicas nem autorizadas pelos artistas estrangeiros são.  

- Uma pena. Mas quem sabem não redescobrem gente como a Diana e lançam novos discos para o país inteiro conhecer melhor. Aliás, se você ouvir falar de Diana, me avise. Não conseguimos encontra-la. Pensei nela para um show na festa de lançamento do filme, mas Diana sumiu - afirma Karim. 

Nem a comunidade dedicada a Diana no Orkut informa por onde anda a cantora. Há quem jura que viu Ana Maria Siqueira Iorio, seu nome verdadeiro, se apresentando em uma praça de Campo Grande, Mato Grosso, em outubro deste ano. Dizem que ela mora em Araruama. Dizem que tem dois filhos. Dizem que está mais calma do que na época de seu conturbado casamento com Odair José. Se é verdade não se sabe. Mas Diana, graças a Karim, pode virar mais uma lenda urbana.

Adeus, Espanta!

 Ele, que nos matava de rir, nos fez chorar...

Espanta era um dos maiores humoristas de nosso país. Eu posso dizer que ele era, no mínimo, o que mais me fazia rir. Dono de um humor bem popular, escrachado. Quem não se lembra de suas piadas de bêbado, de sogra?

 

Quem ouviu Espanta pela primeira vez, com certeza se mija de rir. E quem ouviu pela segunda, terceira e tantas vezes, também se mija do mesmo jeito.

 

Quando eu penso que não poderei mais ir aos shows de humor de Espanta nos bares de Fortaleza, nos finais de semana, eu não posso deixar de ficar triste. Ver o show do Espanta é garantia de grandes gargalhadas, descontração, felicidade.

 

O Brasil e, mais especificamente, o Rio Grande do Norte e o Ceará, perderam um grande homem, David Cunha, mais conhecido como Espanta! Natal está de luto!

 

Para matar a saudade, veja abaixo o fenomenal vídeo de Espanta no terreiro de Macumba e mais embaixo todos os links de Espanta no YouTube.

 

 

Bira no Cabaré da Leila

http://www.youtube.com/watch?v=hITh2gO9sDo

 

Espanta no terreiro de macumba
http://www.youtube.com/watch?v=F3Ua6-5Hfdk

 

Espanta na praia de nudismo
http://www.youtube.com/watch?v=FDVi_b8qkVY

 

Show do Espanta no Congresso da Faculdade Facex de Natal
http://www.youtube.com/watch?v=MMwM54CVN-c

 

Homenagemgem ao humorista Espanta Jesus
http://www.youtube.com/watch?v=7BLa9B2WJdE&eurl=

 

 Adeus, Espanta!

 Muito obrigado pelas infinitas gargalhadas!

Contos Bregas na TV Cultura

Pessoal,
Para quem perdeu o Programa Entrelinhas da Tv Cultura com os Jovens Escribas (Eu perdi. Em minha cidade, estava passando um programa local no mesmo horário. Que raiva!), segue abaixo o vídeo no YouTube.

E se você achou legais as partes do manifesto dos Jovens Escribas, leia o texto completo aí embaixo:

Manifesto Jovens Escribas

 

Todo mundo quer mudar o mundo e todo mundo desiste antes de conseguir. Inocência achar que conosco será diferente. Mas transformaremos a frustração de desistir em letras, edificando não muros, mas pichações libertárias nos muros já edificados, cada vírgula sendo um alfinete que cutuca quem se acomodou. Somos Jovens Escribas. E isto é ser um tanto mais que jovem e um pouco menos que escriba. É diversificar. É desmistificar. É procurar: o novo, o velho, o requentado, o plagiado, o sublime e, acima de tudo, o nosso. Busquemos todos nós, jovens escribas, o que realmente é nosso.

 

Não vamos empunhar penas e morrer de tuberculose. Não vamos buscar uma arte cem por cento nacional. Não vamos ter museus com nossos nomes. Não vamos nos limitar a transgredir. Vamos digitar, formatar, editar, enviar com cópia oculta e, acima de tudo, vamos IMPRIMIR! Ctrl+P é nosso grito de guerra.

 

O mundo já mudou, mesmo diante de nossas desistências. E precisa de gente pra continuar mudando. Se não formos nós, serão outros. Então, aceitemos todos o fardo de ver através e conseguir passar isto para o papel. Que sejamos nós a mudar o mundo: os detratores, os individualistas, os pequeno-burgueses despolitizados; mas também: os empreendedores, os coletivos, os grandes herdeiros do legado que ninguém quer mais pra si: ser escriba. Sim, seremos jovens para sempre. Imortalizaremos nossa pele imberbe na coragem de postar o digitado (outrora publicar o manuscrito). Vamos mexer no que está quieto e inquietar o já mexido. E para isso, nos utilizaremos da mais perigosa arma jamais concebida: a palavra!

 

Há um mundo implorando por mais algumas insignificantes mudanças. Desistiremos de mudá-lo. Mas até lá, que tentemos. E já que vamos tentar, que comecemos por você.

 

Na próxima página você vai se deparar com mais um jovem escriba ansioso por freqüentar prateleiras, bibliotecas e imaginações.

Contos Bregas no Encontro Natalense de Escritores

Pessoal,

Quem estiver em Natal nesta quinta-feira, 23, poderá conferir a palestra Jovens Escribas – Uma Nova Literatura, que será proferida por mim e pelos outros escritores potiguares Pablo Capistrano, Patrício Jr. e Carlos Fialho, dentro da programação do Encontro Natalense de Escritores, promovido pela prefeitura.

 

Além dos escritores locais, o evento terá participação de nomes nacionais como Zuenir Ventura, Ignácio de Loyola Brandão, Affonso Romano de Sant’Anna, Murilo Melo Filho, Ruy Castro, Heloísa Seixas, Antônio Cícero, Nelson Mota e Villas-Boas Côrrea.

 

Eu e os outros Jovens Escribas falaremos sobre a nova cena literária no Rio Grande do Norte e um pouco de nossos livros Contos Bregas (Thiago de Góes), Lítio (Patrício Jr.), É tudo mentira! (Carlos Fialho) e Pequenas Catástrofes (Pablo Capistrano).

 

Se você quiser ver o vídeo que preparamos para divulgar nossa participação, clique no link abaixo: 

E se você quiser saber quais escritores estarão por lá, dê uma olhada no cartaz abaixo. Quem acertar qual deles sou eu ganha um “muito obrigado”. Ehehhee.

 

Kátia no Youtube

Um presente para vocês:

Kátia, a cantora cega, canta no Programa Rei Majestade, do SBT.

Veja o vídeo no link do Youtube e leia letra logo abaixo.

 

Não Está Sendo Fácil - kátia

Todo dia ao amanhecer 
Quanto mais tento te esquecer
Mais me lembro
Não tem jeito ...
Desde quando eu te conheci
Nunca mais te tirei daqui
Do meu peito ...
De que jeito ...
Não está sendo fácil... 
Não está sendo fácil...
Não está sendo fácil viver assim...
Você está grudado em mim ...
Quando tento me divertir 
Nos lugares que eu quero ir
Você sempre está ...
De algum jeito está ...
Eu te encontro em qualquer canção
Você vive em meu coração
E eu aceito ...
Não tem jeito ... 
Não está sendo fácil 
Não está sendo fácil
Não está sendo fácil viver assim...
Você está grudado em mim ...
Se você ainda quiser voltar...
Não demora,eu não sei ficar ...
Desse jeito...não tem jeito...
Não precisa nem avisar...
Basta apenas você chegar...
Do seu jeito...qualquer jeito...
Não está sendo fácil...
Não está sendo fácil...
Não está sendo fácil viver assim...
Você está grudado em mim...
Minhas impressões sobre a entrevista de Waldick

Pessoal,

Conforme divulgado alguns posts abaixo, o cantor Waldick Soriano concedeu entrevista pública no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza (CE), na última terça-feira, 14. 

Eu estava lá! 

Foi genial. Waldick contou sobre sua infância no interior da Bahia, sobre seus amores (incluindo uma mula chamada Boneca), sobre sua carreira e sobre suas idéias. Ele estava acompanhado de seus amigos Fausto Nilo, Geraldo Presley e Falcão. Os dois últimos também cantaram. 

O momento alto foi quando a platéia inteira cantou Torturas de Amor, ao som do violão de Waldick, e ao final ele ficou muitíssimo emocionado. 

Eu fiz um texto poético baseado na entrevista. Espero que gostem, pois segue abaixo: 

Eurípedes Waldick Soriano 

Dita senhora decidiu chamar seu filho de Eurípedes. Ao abandonar o peito da mãe, ele deixou de ser criança e foi ter com suas enxadas.  

No tempo em que os irmãos mais velhos mandavam nos mais novos, foi mandado ao garimpo e lá fez duas amigas. À mula, batizou-lhe de Boneca. À cobra, de Índia. E cantava para ambas, aproveitando o eco preso numa lata aberta. 

Homem criado no mato, teve seus cornos aguados por mulheres febris. A cada uma, obrava uma canção. Fez mais de mil! 

Certa feita, admirou-se do herói de roupas negras e cavalo branco a quem chamavam de caubói. Vestiu-se conforme e foi vaiado no começo e aplaudido nos finais.  

Um dia, pulou no pau de arara. “Se não vencer, não volto”.  

Na terra da garoa, cantou torturas de amor. Foi maltratado por mulheres de branco até que, na terra do sol, desabafou: “Eu não sou cachorro, não!”. O grito deu fé no falcão poliglota, no palhaço pirata e numa atriz das iracemas. Respectivamente, eles traduziram, comunicaram e filmaram tal idílio de metáforas animalescas.

O corpo foi perdendo batalhas contra o tempo, mas a mente e a voz mantiveram-se intactas, por culpa do rei das emoções. E eis que o velho, porque ainda ama, soube-se ainda jovem, estranho alquimista capaz de transformar uísque em chá de boldo. “Para criar, basta o sentimento”. 

Ele voltou! E declarou: “Um momento como esse cura todas as dores, tudo que já sofri nessa vida”. Ele não partirá jamais!

Link permanente para esse post:
http://contosbregas.zip.net/arch2006-11-01_2006-11-30.html#2006_11-17_09_21_47-8564639-0

Bregosfera

Jovem Guarda/Brega Company
Matheus Trunk fala sobre a biografia do grande ídolo brega, Nilton César. 

Fina Flor do Brega
Loulou de Cacharel fala da breguice dos seixos fosforescentes, invenção que pode evitar acidentes entre uma caminhada no escuro. 

Bregorama
Juliana Shirley lembra o que há de mais brega nos casamentos, mostra os mais variados produtos da breguíssima Hello Kitty e outras tantas quinquilharias do mundo brega.

[Sem assunto]

Cantor e compositor baiano Waldick Soriano conta sua história de vida e descreve sua trajetória artística, em entrevista aberta ao público

FORTALEZA, 10.11.2006 – Sua marca registrada está no repertório brega – repleto de músicas dor-de-cotovelo, com a temática dos amores mal-sucedidos – e na forma de se vestir (roupa e chapéu pretos e óculos escuros).

Em entrevista aberta ao público, o cantor e compositor baiano Waldick Soriano contará sua história de vida e descreverá sua trajetória artística, dentro do programa Nomes do Nordeste, a realizar-se no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108), na próxima terça-feira, 14, às 19 horas.

Waldick Soriano será entrevistado pela jornalista Ethel de Paula (editora-geral da revista Farol, da Prefeitura Municipal de Fortaleza) e pelo público presente ao cineteatro do CCBNB-Fortaleza.

A entrevista será editada em DVD, para posterior teledifusão em TVs públicas, educativas e culturais, e disponibilização gratuita em bibliotecas e instituições de ensino do País. 

Aos 25 anos foi para São Paulo

Nascido em 13 de maio de 1933 em Caetité, na Bahia, Eurípedes Waldick Soriano foi agricultor, peão, motorista de caminhão e garimpeiro até os 25 anos de idade, quando foi para São Paulo procurar emprego nas rádios da cidade.

Seu primeiro contrato profissional como cantor e compositor foi na gravadora Chantecler, onde lançou em 1960 seu primeiro disco em 78 rpm, trazendo os boleros “Quem és tu?” e “Só você”, ambos de sua autoria.

No mesmo ano, Wilson Miranda gravou, de sua autoria, o bolero “Abismo de amor”. No ano seguinte, seu primeiro LP, Waldick Soriano, foi lançado também pela Chantecler.

Ainda em 1961, lançou diversos 78 rpm, com o tango “Dona do meu coração”, parceria com Palmeira, o bolero “Mais uma desventura” (com Hélio Araújo), o merengue “Amor de Vênus” (com Tranzilo) e o bolero “Perdão pela minha dor” (só de sua autoria), entre outras. 

Parceria com Chacrinha

No mesmo ano, a cantora Nice de Andrade gravou, de sua autoria, o tango “Escravo do fracasso” e, de sua parceria com Osvaldo Aude, a guarânia “Quero viver contigo”. Lourdinha Pereira gravou o samba “Não devolvi”, parceria com Paulo Augusto, e a dupla Zico e Zeca gravou, de sua parceria com Teddy Vieira, o tango “Maldita hora”.

Em 1962, lançou, de sua autoria, o samba-canção “Tortura de amor” e o frevo “Homenagem a Recife”. No mesmo ano, Lolita Rodrigues gravou na Continental o merengue “Sem carinho”.

Em 1963, gravou os boleros “Quem é você?”, parceria com Gilson Santo Mauro, e “Vestida de branco”, parceria com Sebastião Ferreira da Silva. Em 1964, lançou o LP O elegante Waldick Soriano, trazendo uma composição em parceria com o animador de TV Chacrinha – o bolero “Eu vou ao casamento dela”.

No ano seguinte, seu sétimo LP lançado pela Chantecler intitulou-se Como você mudou pra mim. Pela Copacabana, gravou dois LPs em 1967: Waldick sempre Waldick e Boleros para ouvir, amar e sonhar 

Versão em Inglês macarrônico

Em 1968, mudou para a Continental, gravando Waldick e, em 1970, No coração do povo. Com este disco, obteve dois sucessos nacionais: “Paixão de um homem” e “Carta de amor”, ambos de sua autoria.

Em 1972, gravou pela RCA os LPs Eu também sou gente e Ele também precisa de carinho – este último, trazia um de seus maiores sucessos, “Eu não sou cachorro não”, título que virou expressão de uso corrente em vários estados do País.

Participou dos filmes Paixão de um homem (também título de uma de suas músicas), dirigido por Egídio Eccio, em 1972, e O poderoso garanhão (parodiando o filme O poderoso chefão, de Francis Ford Coppola), dirigido por Antônio B. Thomé, em 1973.

Na década de 1990, Falcão – cantor e compositor cearense da nova geração brega – fez uma versão bem-humorada, com letra em Inglês macarrônico, para seu grande sucesso “Eu não sou cachorro não”, intitulando-a de “I’m not dog no”. Em 1999, a gravadora Universal lançou o CD “A discoteca do Chacrinha – volume 1”, na qual Waldick interpreta “Eu não sou cachorro não”.

 

Fonte: Banco do Nordeste

Meus xarás

O Jornal Hoje avisou: 

No Brasil, existem 500 Franciscos Carlos da Silva. Eles são homônimos, pessoas com mesmo nome e sobrenome. Na minha terra, também são chamados de xarás. 

Pois bem, decidi procurar por meus xarás no Google. E descobri que tem muito xará meu na área do esporte (supinista, ciclista, atleta de badminton, de basquete e até de carro de corrida). Se eu tivesse talento, poderia tentar a sorte no basquete e no squash. Mas como esportista eu sou um ótimo escritor... ehehehehe. 

1- Alguém que assina Thiago de Góes comentou texto de Raimundo Sereno, no dia 06/11/2006.
2- Outro Thiago de Góes foi inscrito no Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) da Universidade Estadual de Londrina, em novembro de 2005. Ele deve ser o mesmo que foi aprovado no vestibular de Ciências Sociais da UFPR, em janeiro de 2004, e no concurso público do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, em 2006.
3- Mais um Thiago de Góes conquistou medalha de prata na 17ª Copa Apolo de Supino, realizada em abril de 2005. Segundo minhas pesquisas, Supino é um esporte de força ou modalidade de levantamento de peso.
4- Outro Thiago de Góes é paulista e tem perfil inscrito no programa de relacionamento Beltrano.
5- Alguém chamado Thiago de Góes Silva consta na base de dados do TRE de Tocantins. 

Agora vamos ver se tem alguém que assina como Thiago Góes, sem a preposição “de”: 

1- O catarinense Thiago Góes foi o grande vencedor da maior prova de moutain bike da América Latina (Iron Biker 2006), em outubro.
2- Thiago Góes de Hollanda é carioca e tem um flog no Flogão.
3- Thiago Góes de Castro é ou foi aluno do Colégio Positivo Ambiental
4- Outro Thiago Góes é atleta de badminton
5- Mais um Thiago Góes é graduando em ciências econômicas da UFBA e bolsista do NEC.
7- Mais um Thiago Góes é técnico de basquete em Goiás 

E como meu nome completo é Thiago Medeiros de Góes, também existe outro Thiago Medeiros, que é piloto de carro de corrida. Quando ele estiver na Fórmula 1, o pessoal vai tirar onda comigo...

Bregosfera

o putaquipariu!
bruno azevêdo traça um fenomenal esboço de uma introdução para a crítica conteudística do brega. Compara Chico Buarque com Júlio Nascimento e analisa a cosmogonia “julionascimentiana” em “Leidiane”. Eu coloquei em primeiro lugar, pois é imperdível. LEIAM!
 

Jovem Guarda Brega
Matheus Trunk transcreve antiga reportagem sobre Nelson Ned e fala sobre Adilson Ramos 

Fina Flor do Brega
Loulou de Cacharel apresenta o que há de mais criativo no que tange a questão do transporte de banana, e capinhas protetoras ultrabregas para seu iPod. Ela também resgata Júlia Graciela e seu grande sucesso “Anúncio de Jornal”. 

Blog de Guerrilha
Mr. Wagner afirma que “rir de si mesmo, pode ser uma bela estratégia para conquistar a mesma simpatia do público”. 

O brega, Caetano e a relatividade
Luiz Zanin defende a breguice do disco Fina Estampa, de Caetano Veloso.

A Música, de Diana

Pessoal,
O meu conto A Música, que vocês podem ler alguns posts abaixo, foi inspirado nesta canção de Diana. Eu não encontrei nenhuma citação na Internet, portanto copiei a letra ao escutar num cd pirata. Se alguém souber do título correto, favor informar. 

Eu sinto uma saudade muito grande quando lembro dos momentos em que ouvíamos a música
A música...
A canção falava de um casal que se amava e pra nós dois ela dizia tanta coisa
A música...
Esta canção de amor foi o motivo que deixou uma lembrança tão marcante em minha vida
A música...
Você talvez não saiba o que eu sinto, pois você se foi sorrindo e nem ligou pro meu amor 

Você se afastou tão de repente/ Nem disse adeus e foi mesmo em silêncio
Que culpa tenho eu se a lembrança/ Me faz sentir saudade de você
Ao mundo inteiro eu gostaria tanto de dizer que eu não posso mais ouvir a nossa música

Conto do Gigante Guerreiro Daileon

Conto do Gigante Guerreiro Daileon
Por Thiago de Góes 

Por um momento, o menino pensou que poderia ser o jovem guerreiro solitário de olhos puxados e armadura metálica alvirrubra, que defendia o planeta contra poderosos monstros alienígenas. 

E havia, na sala de estar, o moderno aparelho de som “made in japan” que mais parecia um painel de controle de um poderoso equipamento de guerra.  

Quatro enormes caixas de som, duas de cada lado, por trás das quais emaranhavam-se fios pretos e vermelhos. Dois painéis com números distribuídos em meia lua, como se fosse a metade de um relógio. Em cada um, um fino ponteiro costumava percorrer os números, para lá e para cá, como se fosse o limpa-brisa de um carro em dia de chuva, e seguindo o ritmo das bandas de rock que o irmão mais velho ouvia no meio da tarde. Também havia outro ponteiro que percorria outros números, desta vez na vertical, ao sabor de um botão que girava, ora pra esquerda, ora pra direita. Os botões, aliás, eram inúmeros e de todas as formas. Redondos, pequenos, retangulares, grandes, curtos, longos, em formato de cone, uma infinidade. 

Então o menino sentou numa cadeira giratória, colocou os enormes fones de ouvido na cabeça e gritou o mais alto que pôde: 

“GIGANTE GUERREIRO, DAILEOOOOOOOOOOOOOOOOOONNNNNN!!!”. 

E acionou todos os botões que vira pela frente. Os que estavam para baixo, colocou para cima. E para baixo, os que estavam para cima. E para a esquerda, os que estavam para a direita. E vice-versa. E para dentro os que estavam para fora. E vice-versa.

Até que a vizinhança ouviu quatro potentes pipocos, tão altos quanto disparos de armas de fogo. E o pequeno guerreiro escondeu-se por trás das caixas de som estouradas, tão solitário quanto seu herói de olhos puxados e armadura metálica alvirrubra, que defendia o planeta contra poderosos monstros alienígenas...

Conto da viúva diabética

A MÚSICA

Eu sinto uma saudade muito grande quando lembro dos momentos em que ouvíamos a música (Diana)
Por Thiago de Góes 

Cansada, sentou-se numa cadeira da sala de estar, retirou a seringa do isopor e procurou uma veia sadia no meio das varizes. Achou uma na canela esquerda. Então injetou a insulina recomendada.  

Era apenas uma das tantas coisas que ela tivera que aprender a fazer sozinha, após a morte do marido. Ela que nunca se dera bem com aquele azul ofuscante de suas veias inchadas, impiedosamente contrastando com a brancura de sua pele enrugada. E ainda o joelho doente da queda no batente da varanda, que teimava não sarar. 

Com ajuda da muleta, ela dirigiu-se à rede, não muito baixa, para não arrastar no chão, e não muito alta, para evitar uma queda maior. Deitou-se, mas esquecera do controle remoto da televisão. Não teve coragem de levantar-se para pegá-lo. Então ficou ali, pensando no marido morto e naquela música que já não conseguia recordar. 

Ela revezava sentimentos de tristeza e culpa, por não lembrar da melodia, muito menos da letra. Como pudera esquecer de algo tão importante, que marcara para sempre a vida do casal? Ela podia apenas afirmar que se tratava de uma canção romântica, de ritmo lento, e que, ao ouvi-la, enchia de paz e tranqüilidade seu coração. Mas eram apenas sensações outrora provocadas. A música em si, a melodia, as notas, a letra, nada disso permitia ser fisgado pela memória fraca e triste. 

A canção que tocara no início do romance, no casamento, nas bodas de ouro e no velório, agora estava eternamente na ponta da língua, como um piercing imaginário. E nem o intérprete, muito menos o compositor, eram de seu conhecimento.  

Pensou em ligar o rádio, em telefonar para os filhos, que moram todos em diferentes capitais. Alguém poderia ajudá-la. Tinha certeza que apenas a introdução, ainda que vagamente cantarolada, ou mesmo solfejada, seria capaz de fazê-la lembrar-se da música inteira. 

Mas ela quase já não tinha forças para levantar-se da rede. E ainda que o fizesse, não lembrava dos números. Teria que buscar a agenda de telefones, guardada não sei onde. Teria que lembrar como se faz uma ligação interurbana, e depois dos códigos das cidades em que cada filho morava. E o rádio sem pilhas. Teria que comprá-las na bodega da esquina. Era muita coisa para uma viúva diabética, surrada pela solidão, muito mais que pela doença. 

O telefone tocou. Era o filho mais velho. Ele viria no sábado, visitá-la, e só voltaria no domingo à noite. Será que ele lembra da música? No quinto toque, ela esforçou-se como pôde e conseguiu levantar-se a custo. O joelho doía como nunca. No oitavo toque, ela atendeu. E ouviu apenas os pulsos frios de uma ligação que caíra, como a esperança cai num precipício sem fim.

Ela desistiu. Deitou-se no chão mesmo. Entregou sua vida a Deus! 

E foi ali, no frio do assoalho, descrente da vida, que ela ouviu as primeiras notas da música. “Louvado seja Deus!”. O som adentrava pela janela e vinha junto com uma luz muito forte. Ela reconheceu a melodia e a voz de quem a cantava. Era o falecido. Ele cantava emocionado como quem faz uma seresta para sua amada. Ela cantou junto com ele o refrão, como se fosse um hino religioso. E chorou de felicidade. E fechou os olhos como se já não importasse a diferença entre sonho e realidade. E, antes de qualquer coisa, ouviu das bocas dele uma frase singela, que não se deixou ofuscar pela falta de originalidade, mas permitiu-se iluminar pela força da verdade que carrega: “Eu te amo!”.

Contos Bregas na TV Cultura

Não percam, hoje (01.11.2006) no Programa Entrelinhas da TV Cultura, às 22h30, entrevista comigo e com os outros autores do Projeto Jovens Escribas, do qual faz parte meu livro Contos Bregas!

Vejam só a apresentação que o site do programa fez sobre nós:

"O grupo Jovens Escribas, formado em Natal (RN) por autores de vinte e poucos anos, fala ao programa sobre a "ousadia" de editar a própria produção literária. Eles vieram a São Paulo para lançar seus livros e afirmar ainda mais seu desejo de imprimir, e não apenas transgredir, o mercado editorial". 

Conto do coelho do Qüick

Faz do leite uma alegria...
por Thiago de Góes

Esparramado no sofá, o menino acompanhava imberbe as brincadeiras da loirinha no programa infantil. De longe, ele ouviu a buzina do carro!

“Mamãe chegou!”.

Sem desligar a tevê, ele partiu correndo para a garagem. A mãe já estava tirando a feira da mala do carro.

“Você trouxe meu coelhinho?”.

“Que coelho, menino? Você está ficando louco! Eu fui pro supermercado. Não fui pro zoológico, não... Me ajuda aqui!”.

Por trás do saco plástico, o menino pôde antever a forma cilíndrica de uma lata de achocolatado. Ele quase derrubou a mãe quando lhe roubou a lata reluzente e de pronto a levou para a cozinha.

Tentou abrir a tampa com a ponta dos dedos, mas suas unhas pequenas não ajudavam.

“Calma, coelhinho! Eu tiro já você daí...”.

Derrubou meia dúzia de talheres ao tentar escolher apenas uma colherinha perdida entre garfos e facas.

E afinal, conseguiu abrir. A tampa metálica deu três cambalhotas no ar antes de cair no chão e ficar rodopiando por alguns segundos até aquietar-se.

“Cadê você, meu coelhinho? Eu sei que você está aí. Eu vi você entrando, na televisão!”.

Então, o menino começou a cavar na lata e a jogar o conteúdo no chão da cozinha. A mãe viu aquilo tudo e preparou-se para dar um bote no safado e evitar que ele desse fim no alimento. Mas o menino é esperto. Para ganhar tempo, ele virou a lata de cabeça para baixo e derramou tudo no chão. Tudo! A mãe ficou de olhos esbugalhados.

Ele também. O coelhinho não estava lá...

A mãe pensou que as lágrimas do filho foram decorrência das tapas que levou. Mas ainda antes de apanhar, ele já chorava como nunca...

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