Contos Bregas no Clube do Brega

Pessoal,
Ontem eu estive no Programa Clube do Brega, da TV Diário, juntamente com a Banda Belina Mamão. Em breve, colocarei um vídeo para vocês verem como foi lá no programa apresentado por Silvino Neves.

Abraço,
Thiago de Góes

De quando Amado Batista deixou Mozart pra trás

Esta história aconteceu mesmo. Eu soube de meu sogro. Foi numa cidade no interior do Ceará. Certa noite, um carrão quatro por quatro parou defronte um boteco. Era do tipo daquele do senhorzinho Malta, da novela Roque Santeiro.

 

O motorista era o dono da rádio local. Ele sentou numa mesa com amigos e começaram a beber. Depois de tomar umas tantas, o cara pediu ao garçom que ligasse na rádio e sintonizasse o canal dele.

 

Estava tocando Mozart. Irado, o cara pegou o celular e ligou para a rádio. Quem atendeu foi um estagiário, que nunca havia visto nem falado com o dono.

 

Autoritário, ele ordenou:

 

“Eu quero que você bote pra tocar a Princesa, agora mesmo”.

 

O estagiário não entendeu.

 

“Quem é você? O diretor não está e o Programa é gravado”.

“Eu sou o dono da rádio. Eu sou o chefe do seu chefe! Eu sou quem paga o seu salário”.

“Mas nós estamos no meio de um programa de música erudita...”

“Não interessa! Quem manda nessa porra sou eu. E tem mais: quando terminar, repita a mesma música até segunda ordem”.

 

E foi assim que a voz de Amado Batista deixou Mozart para trás e cantou Princesa das 21h até altas da madrugada, enquanto durou a bebedeira do dono da rádio.

 

 

Princesa - Amado Batista

Ao te ver pela primeira vez eu tremi todo

Uma coisa tomou conta, do meu coração

Com esse olhar meigo, de menina

Me fez nascer no peito, esta paixão

E agora não durmo direito pensando em você

Lembrando os seus olhos bonitos, perdido nos meus

Que vontade louca que eu tenho, de vê-la comigo

Calar sua boca bonita, com um beijo meu

Princesa, a deusa da minha poesia

Ternura da minha alegria

Nos meus sonhos quero te ver

Princesa, a musa dos meus pensamentos

Enfrento a chuva, o mau tempo

Pra poder um pouco te ver

BIS

 

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-28_10_59_42-8564639-0

Uma canção de Fernando Mendes

Eu queria dizer que te amo numa canção
(
Fernando Mendes) 

 

Esse amor que trago em mim,

Eu não sei se é certo

Encontrei o meu jardim,

Em pleno deserto

 

Toda vez que tento,

Te falar não contenho minha emoção,

Eu queria dizer que te amo numa canção

 

Já não posso controlar esse sentimento

Cada dia aumenta mais, meu sofrimento...

 

Toda vez que tento te falar,

Não contenho minha emoção

Eu queria dizer que te amo, numa canção

 

Quero gritar o teu nome,

Abrir todo o meu coração

Quero mostrar como e grande,

A minha paixão

Já não sei mais o que faço,

Pra chamar a sua atenção

Eu queria dizer que te amo numa canção

   

Teu amor nao vai ser meu,

Mesmo assim te amo

Não sei como isso aconteceu,

Mais eu não reclamo...

 

Toda vez que tento te falar,

Não contenho minha emoção

Eu queria dizer que te amo numa canção

 

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-27_09_10_00-8564639-0

Odair José recebe Contos Bregas

O mestre Odair José foi outro ícone do brega brasileiro que se rendeu aos Contos Bregas. Um compositor e cantor fenomenal e uma figura simples e humilde de pessoa. Espero que goste da leitura, Odair! Grande abraço!

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Conto Cadeira de Rodas

Conforme havia prometido, encaminho o conto "Cadeira de Rodas", inspirado na canção homônima de Fernando Mendes.

CADEIRA DE RODAS
por Thiago de Góes
 “Aquela menina em sua cadeira de rodas, tudo eu daria pra ver novamente sorrir” (Fernando Mendes)

 

PARTE 1 – O Encontro

 

As duas primas tratavam de assuntos íntimos. Uma delas, a que podia andar, espreguiçava-se na janela. A outra permanecia na cadeira de rodas.

 

Ela vestia um pequeno short jeans, mostrando as coxas morenas e imóveis. Penteava os cabelos levemente cacheados, enquanto esperava o rapaz tímido passar pela rua, como de costume.

 

Munido de prancheta, papel e caneta, ele já entrara nas residências da frente, da esquerda e da direita, nos dias anteriores. Podia ser um pesquisador ou recenseador. Talvez um funcionário da companhia de luz, para tirar leitura do medidor de energia. Talvez um jornalista. Deus sabe.

 

“Suas pernas são imóveis, mas não invisíveis”, dissera uma prima à outra. Um consolo. A moça não estava conformada com as conseqüências do acidente. Mas não deixava de lançar um sorriso esperançoso pelas ruas, em busca do rapaz tímido de olhar triste.

 

Um dia ele bateu à porta.

 

“Boa tarde!”.

CLIQUE AQUI PARA LER O CONTO COMPLETO

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Ariano Suassuna x Banda Calypso

Definições do Houaiss para a palavra IMBECIL:

 

1 - que ou aquele que denota inteligência curta ou possui pouco juízo; idiota, tolo

2 - que ou aquele que é fraco, sem forças

3 - que ou quem não tem coragem; covarde, pusilânime

4 - que ou quem apresenta retardo mental moderado (imbecilidade)

 

Eu não sei com quais destas acepções Ariano Suassuna referiu-se ao compositor da música Pra me Conquistar, sucesso da Banda Calypso. Vejam só as palavras de Ariano, na íntegra:

 

“O sujeito que compôs essa música é imbecil. Quem canta é, porque a escolheu. E quem gosta é também”.

 

Declarações preconceituosas são comuns na elite cultural, que costuma ser adepta de patrulhamento ideológico e cultural. Creio que não acrescentam nada de bom para a cultura e só depõem contra a imagem de quem as fala.

 

O caso veio à tona por meio do Blog de Jamildo, neste post e sobretudo neste outro, que já soma mais de 120 comentários, e já está no YouTube, conforme vídeo abaixo. O que você acha disso tudo? Quem é imbecil afinal?

 



Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-21_17_27_10-8564639-0
Fernando Mendes

 

Josué Ribeiro, do site musicapopulardobrasil deu a dica: está no ar o site de Fernando Mendes: www.fernandomendes.com 

Nele, você pode ler a biografia do cantor, matérias sobre ele na imprensa e as letras de suas canções. Você também pode conhecer a biografia completa do autor de “Cadeira de Rodas” e conferir sua agenda de shows. E ainda ouvir uma rádio com suas músicas, ver fotos como esta com Caetano Veloso, e até deixar recados num mural.

 

Se você curte a verdadeira música popular brasileira, com certeza você sabe quem é Fernando Mendes. Mas se você é daqueles que só conhecem e respeitam a sigla MPB, vou te dar uma dica:

 

Fernando Mendes é o compositor da música “Você não me ensinou a te esquecer”, que você achou muito chique na voz de Caetano Veloso e na trilha do filme Lisbela e o Prisioneiro.  No meu livro Contos Bregas, há três histórias inspiradas em canções de Fernando: Menina da Calçada, Você não me ensinou a te esquecer, e Cadeira de Rodas (que postarei amanhã).

 

Sobre o assunto, eu destaquei algumas passagens intrigantes de matérias jornalísticas disponibilizadas no site de Fernando. Vejam só:

 

- “O Brasil é a única nação do mundo que classifica música olhando a posição social de quem escuta e compra a música. Como pode um país brega em comportamento ser tão preconceituoso com a sua própria breguice?” ACONTECE.COM.

 

- A divisão de classes e econômica é invocada por Caetano para falar de suas preferências musicais. “Este negócio de gravar música dita brega é para mim mais que um projeto musical. É um projeto de vida”, diz ele. “Gravar esses compositores sempre foi para mim uma forma de gritar contra o apartheid social brasileiro.”  FOLHA DIÁRIO DE SÃO PAULO

 

- A CRÍTICA - Você já foi criticado por seu estilo, que alguns dizem ser cafona, brega. Como você mesmo define suas criações?

 

FERNANDO MENDES - Por chamarem de brega, disseram que não tinha nada a ver com o Caetano, e ele disse, "Como não tem nada a ver? É música!". Brega era um lugar onde a gente ia, era um substantivo e hoje é um adjetivo com que falam mal da gente. Quando me perguntaram o que eu achava, eu disse, "Brega é o termo, a palavra, o nome, que o invejoso usa pra criticar o vitorioso". O Caetano elogiou: "Gostei da sua definição". JORNAL A CRÍTICA - MANAUS

 

Eu também gostei. E para provar, coloco no post abaixo a letra de Você não me ensinou a te esquecer.

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-21_10_49_19-8564639-0

Você não me ensinou a te esquecer

Você não me ensinou a te esquecer

Fernando Mendes 

 

Não vejo mais você faz tanto tempo,

Que vontade que eu sinto...

De olhar em seus olhos e ganhar seus abraços,

É verdade eu não minto,

 

E nesse desespero em que eu me vejo,

Já cheguei a tal ponto...

De me trocar diversas vezes por você,

Só pra ver se te encontro

 

Você bem que podia perdoar,

E só mais uma vez me aceitar

Por isso agora eu vou fazer por onde,

Nunca mais perde-la

 

E agora, que faço eu da vida sem você,

Você não me ensinou a te esquecer,

Você só me ensinou a te querer

E te querendo eu vou tentando te encontrar,

 

Vou me perdendo...

Buscando  em outros braços seus abraços,

Perdido no vazio de outro espaço,

O abismo em que você se retirou,

E me atirou e me deixou aqui sozinho,

 

E agora, que eu faço eu da vida sem você,

Você não me ensinou a te esquecer,

Você só me ensinou a te querer,

E te querendo vou tentando te encontrar...  

Irlemar Chiampi analisa Contos Bregas

Pessoal,
Eu recebi este e-mail da professora da USP Irlemar Chiampi, sobre meu livro Contos Bregas, e me emocionei muito com as palavras dela. Muito obrigado por sua análise, Irlemar. Ela vale muito para mim!
 

De:

irlemar chiampi

Para:

thiagodegoes

Data:

20/03/07 00:06

Assunto:

Re: Re:Boquitas Pintadas x Contos Bregas

Caro Thiago: 

Demorei, mas consegui desembaraçar-me em parte das tarefas acadêmicas para ler e apreciar o seu ótimo Contos bregas. Alguns contos são surpreendentes pela imaginação ficcional, outros sabem recortar cenas do cotidiano brasileiro pelo viés do lúdico, no qual não se ausenta a necessária ironia, o indispensável tom jocoso satírico que redime a breguice excessiva das vidas em seus ritos existenciais.

No ponto nodal, porém, que trouxe Vc ao contato comigo - a questão do uso da canção popular na feitura das narrativas, como o pratica Manuel Puig - os teus artefatos diferem bastante. Não digo no resultado estético, mas no modo como Vc usa a canção popular. Explico: enquanto Manuel Puig insere as letras bregas (do tango, do bolero) no bojo das histórias, fazendo os personagens se expressarem mediante as emoções referenciadas pelas canções conhecidas por todos, Vc referencia pela intertextualidade mais geral das situações narrativas. Ou seja, Vc usa as canções nas epígrafes, referenciando o universo imaginário do conto pela emocionalidade das letras populares. Manuel Puig usa uma estratégia extra ao trazer o discurso brega da canção para dentro do discurso narrativo.

Em comum, ainda, entre Contos bregas e Boquitas pintadas, eu diria que em ambos, o Kitsch deixa de remeter a uma "inadequação estética", associada invariavelmente a uma "desvalorização social". O uso da referencialidade kitsch perde, assim, o tom pejorativo, para metaforizar um sentimento de marginalidade com respeito à cultura hegemônica, a da elite social.

Considero ainda que  livros como o teu e o de Puig (mas também os do porto-riquenho Luis Rafael Sánchez) apontam para disputas de caráter simbólico, conflitos de cunho sócio-econômico e questões relacionadas à identidade latino-americana. Mas nada do que eu escrevi aqui pode dizer mais do que o genial Falcão, quando assina a orelha-prefácio.

Parabéns pelo livro e pelas Lobas, Deusas e Ninfetas que acaba de lançar. Sucesso!

Com o abraço da
Irlemar Chiampi
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Para quem não sabe, Irlemar é professora da USP e realizou pesquisas sobre a estética kitsch na literatura. Veja esse trecho de seu texto “O romance latino-americano do pós-boom se apropria dos gêneros da cultura de massas”: 

“Quem diria, os gêneros espúrios invadiram a seara da alta literatura. Tudo começou com Manuel Puig, com a publicação de Boquitas Pintadas (1969), título tirado da letra de um fox-trot cantado por Carlos Gardel para uma narração povoada de lances melodramáticos e oferecida em “entregas” ao leitor, como um folhetim, cada uma delas epigrafada com versos de tango. Puig havia criado não só um epitáfio para o grande romance do boom, mas uma koiné estética mediante a promiscuidade do nobre trabalho experimental com a breguice do discurso emotivo veiculado pela música popular”.  Irlemar Chiampi - “Revista Brasileira de Literatura Comparada nº 03”, em 1996.

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-20_09_54_28-8564639-0

Promoção das Lobas

Os 5 primeiros que responderem as quatro primeiras questões e acertarem a quinta e última ganham um exemplar autografado do meu livro “Lobas, Deusas e Ninfetas”.

 

1 - Quem é mais corno?

( a ) O marido que pagou a conta da esposa infiel no motel

( b ) A mulher que morreu depois de pacto para tomar veneno de rato

 

2 - Qual livro meu você prefere comprar?

( a ) Contos Bregas

( b ) Lobas, Deusas e Ninfetas

 

3 – Como você prefere pedir o livro?

( a ) Postando mensagem no campo dos comentários

( b ) Enviando mensagem de e-mail para thiagodegoes@gmail.com

 

4 – Como você prefere ler este blog?

( a ) Acessando diretamente pelo endereço www.contosbregas.zip.net

( b ) Assinando o feed http://contosbregas.rssblog.zip.net/

( c ) Pelo celular

 

5- Qual o nome completo da cantora brasileira que gravou canções para dois filmes da Walt Disney?

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-16_10_23_12-8564639-0

Um desabafo contra o preconceito

Você gosta mesmo destas músicas?

 

Esta pergunta foi dirigida a mim, por uma senhora que folheava meus dois livros de contos inspirados em músicas bregas. Ela manuseava o livro com tanto interesse – vendo a capa, lendo o prefácio, a contra-capa e o sumário – que eu imaginei qualquer outra pergunta. Menos aquela.

 

Por alguns instantes, fiquei sem resposta. Manuel Puig escreveu um romance cujos capítulos eram epigrafados por versos de tangos e boleros. Ele gostava mesmo daquelas músicas? Paulo César de Araújo escreveu um livro sobre a vida do mais admirado cantor romântico do Brasil. Paulo gosta mesmo das músicas deste cantor?

 

Parecia que a senhora havia gostado da proposta de contos inspirados em músicas, mas não “naquelas” músicas. Algo tinha frustrado suas expectativas.

 

Se eu realmente não gostasse “destas” músicas, porque eu faria um livro inspirado nelas? Por curiosidade? Pois foi justamente esta a segunda pergunta da senhora.

 

Curioso, né? O que seria mais difícil de imaginar: um escritor fã de música brega, um pedreiro fã de música clássica, ou alguém cujo preconceito dissimulado o faça dividir o mundo em brega e chique e se auto-incluir entre os chiques?

 

Garanto que os dois primeiros elementos existem aos montes. Mas, infelizmente, o terceiro ainda é muito mais numeroso.

 

E a senhora continuou. “Rosana é ruim. Ela é brega. Caetano Veloso, sim, é chique”. Argumentei que o próprio Caetano discordaria profundamente dela e acharia esta declaração extremamente preconceituosa.

 

Então ela recuou: “tudo bem, se eu tiver tomado umas e outras eu até agüento ouvir as dores de cotovelo de Alcione. Mas nunca compraria um cd dela”. Aí eu achei mais estranho ainda. Quer dizer que ébria, talvez; sóbria, jamais? O que haveria de comum entre a breguice e a embriaguez? E entre a chiqueza e a sobriedade?

 

Caetano Veloso já disse que “de perto, ninguém é normal”. Eu olhei para aquela senhora e apenas pensei: “de perto, ninguém é chique!”

 

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-15_13_10_09-8564639-0

Eu e a família Bartô

Estes dois que vocês estão vendo ao meu redor e empunhando meus livros são os mestres do brega Bartô Galeno e seu filho Bartozinho Galeno. Eu participei junto com eles do Programa Tarde Livre, da Tv Diário, na última sexta-feira.

 

Eles são duas pessoas super gentis e humildes. Bartozinho tem um timbre de voz muito parecido com o de seu pai, conforme pude averiguar no cd que ele me deu e ouço "no toca-cd do meu carro". Muito parecido, mas não igual. Ele também tem sua voz própria e fará cada vez mais sucesso.

 

Nos bastidores, arranquei de ambos duas revelações:

 

O pai Bartô Galeno disse-me duas coisas sobre a música No toca-fitas do meu carro. Segundo ele, o carro era um Chevette vermelho 75, que comprou em Mossoró (RN), no início de sua carreira. A segunda coisa é que a canção que “me faz lembrar você”, como diz um dos versos da música, era nada mais, nada menos, que Detalhes, de Roberto Carlos. Resumindo: Bartô compôs No toca-fitas do meu carro, ouvindo Detalhes num toca-fitas de um Chevette. Só faltou dizer quem era a mulher de quem ele tanto se lembrava...

 

E o filho Bartozinho Galeno, vencedor do Big Brega Brasil, quadro do Clube do Brega da TV Diário, afirmou que esta paródia do programa da Globo não irá mais para o ar, por questões judiciais. A Tv diário e a Tv Record, que também parodiava o programa no Show do Tom, estão impedidas de apresentarem estas paródias.

 

E aí vai para vocês a letra do maior sucesso de Bartô:

 

No toca-fita do meu carro - Bartô Galeno

No toca-fita do meu carro,
Uma canção me faz lembrar você,
Acendo mais um cigarro
E procuro lhe esquecer.
Do meu está vazio,
Você tanta falta me faz,
-pois cada dia que passa
Eu te amo muito mais-(bis)
(2x estrofe)

Encontrei no porta-luva um lencinho
Que você esqueceu.
-e num cantinho bem bordado
O seu nome junto ao meu-(bis)

 

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-14_11_17_01-8564639-0

Resenha do lançamento do meu livro


Este primor de veículo automotor que vocês estão vendo é a Belina Mamão, o carro mais famoso do Rio Grande do Norte. Ele é de propriedade dos integrantes da banda de brega homônima, que tocou no lançamento do meu livro “Lobas, Deusas e Ninfetas”, lá no Budda Pub em Natal.
 

Eu não poderia me privar de fazer um registro com a Belina. Foi uma honra! Na foto, eu estou entre os cantores Franci Lee Flores e Dedé Braga, codinomes de Franklin e Anderson Legal. 

Adorei ter conferido a performance da banda ao vivo (eu só tinha visto pelo YouTube e pelo cd) e ter conhecido pessoalmente os integrantes da banda. Franklin é de Currais Novos. Dizem que é a cidade mais escrota do Brasil, pois começa no XX e termina nos XXXX. 

Quando eles estavam cantando a música Garçom, eu subi no palco e roubei o microfone de Dedé Braga. Desafinei muito. Ehehhe. Na parte que diz, “deitado no chão”, eu realmente me deitei. Ao final da canção, Dedé me disse que eu escrevia muito bem! Acho que foi uma indireta para eu nunca tentar a carreira de cantor... Ehehehe. 

Agradeço a todos que participaram do lançamento, especialmente a minha noiva Kércia Renata (ao mesmo tempo, loba, deusa e ninfeta) e aos meus queridos pais e irmãos. Eles me deram todos uma grande força! 

Eu também destaco as seguintes presenças: 

- Fernando Luiz, o astro do forró brega autor do sucesso Garotinha. Foi uma grande honra autografar meu livro para ele. 

- Uma turma de estudantes da Universidade Potiguar (UnP), que está fazendo o trabalho de final de curso sobre o selo literário potiguar Jovens Escribas, do qual faz parte meu primeiro livro Contos Bregas. Nossa, ser tema de monografia é chique demais! 

- Carlos Fialho Marlos Apyus e Márcio Bejamim, grandes Jovens Escribas. O primeiro já tem livros lançados. Os outros dois já preparas suas primeiras obras, que eu vou ser dos primeiros a adquirir, pois eles têm muito talento para a escrita. Nós três éramos alunos do Colégio das Neves. Lá, eu era editor do jornal Boca Livre, do qual Fialho era repórter. Marlos tocava na Banda Neves, que depois virou Brigite Beréu. Hoje faz sucesso com a Experiência Apyus. Apesar de ser uma banda rock, ele me falou de uma grande apresentação que fizeram num casamento, em que tocaram músicas de Reginaldo Rossi, Kaoma e Banda Grafith, a pedido dos convidados. 

- Meus familiares e seus respectivos amigos, meus amigos, amigos dos meus amigos. Não citarei nomes, para não ser injusto com ninguém. 

Muito obrigado a todos vocês!

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-13_12_03_37-8564639-0

Resenha do meu livro no Diário do Nordeste

Pessoal,

Os lançamentos em Natal e Fortaleza do meu novo livro “Lobas, Deusas e Ninfetas”, foi simplesmente demais! Na capital potiguar, o lançamento ocorreu paralelamente ao show da banda Belina Mamão. E na capital cearense, dividi espaço com Odair José, Waldick Soriano e Rosana.

 

Agradeço a todos os leitores e à imprensa cearense e potiguar, que divulgaram muito bem o meu livro. Em Natal, saíram matérias no Jornal de Hoje e Tribuna do Norte.

 

Em Fortaleza, participei do programa Tarde Livre, da TV Diário, juntamente com Bartô Galeno e seu filho Bartozinho Galeno. Hoje pela manhã, estarei no Programa Na Boca do Povo, da TV Jangadeiro.

 

E no Diário do Nordeste, em Fortaleza (CE), esta resenha de Henrique Nunes me emocionou. Se você quiser ler a resenha completa CLIQUE AQUI.

 

Seguem abaixo algumas passagens que destaquei para vocês.

 

O amor, a canção e o poder das palavras

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=413550

Henrique Nunes

 

- “No coração de cada compositor ou intérprete brega, e de seus ouvintes, mil histórias pra se contar. Pelo menos se você tiver um pouco de imaginação, emoção ou de traquejo com o palavreado, como o jornalista potiguar Thiago de Góes”

 

- “Uma das melhores, “Aparências”, uma história de amor e traição digna do roteiro do filme “Quero ser John Malkovich”.

 

- “ (...) a obra traz 16 narrativas mais concisas e definidas pelo imaginário que cerca, no título, respectivamente, as memórias de canções interpretadas por Alcione (“A Loba”), Rosana (“O amor e o poder”, cujo ainda popular refrão fala em “Como uma deusa...”) e Lílian (“Rebelde”). Canções que, segundo Thiago, representam, pela ordem, “a mulher de um homem só, que jamais perdoa a traição”; “a deusa, idealizada” e “a menina-moça que esconde suas inseguranças por trás de uma sensualidade cruel”. Nestas e nas demais, o erotismo, o amor e a paixão voltam a guiar a imaginação e as palavras de Thiago, apresentadas agora pela cantora Kátia, presente com “Sozinha”, na forma de uma dramática história romântica, e na transcendental “Lembranças”.

 

- “Não resistimos e listamos as demais “participações”: Joanna (“Amanhã Talvez”, sobre um amor de motel; “Recado”, sobre um estranho anúncio de jornal, e “Tô fazendo falta”, de um humor-negro bem bacana); Roberta Miranda (a fábula “A Majestade, O Sabiá” e a josealcideana “Meus momentos”); Diana (“A música da minha vida”, “Esta noite a minha vida vai mudar” e “Fatalidade”, todas com abordagens consideravelmente intrigantes); Maria Bethânia (“Negue”, num frenesi erótico sobre uma “cadeira de choques”); As Frenéticas (“Perigosa”, numa reportagem sobre um misterioso livro erótico) e Tetê Espíndola (numa “Escrito nas Estrelas” tão longa como os agudos da intérprete).”

 

- “Através do poder das canções brasileiras ou das palavras, Thiago consegue marcar o coração de seus leitores”.

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-12_09_59_13-8564639-0

Meu lançamento e mais um conto

É hoje! Todo mundo lá em Natal no Budda Pub, a partir das 21h, para o lançamento do meu livro Lobas, Deusas e Ninfetas, seguido do show da Belina Mamão. Se você ainda não conhece o meu trabalho, segue mais um conto na íntegra.

AMANHÃ TALVEZ

“Só mais uma vez, amanhã talvez. Só mais uma vez, o amor que a gente fez.” Interpretada por Joanna
Composição: Michael Sullivam / Paulo Massadas

Pelo interfone, ela pediu a primeira das três fantasias descritas na contracapa do menu. Ao lado da cama, girou um pequeno botão, acionando o ar-condicionado. O som rouco do aparelho adentrou-se imponente na suíte presidencial, enquanto a moça girava o botão do rádio, fazendo soar uma antiga canção romântica.

Ela diminuiu a intensidade da luz e manteve-se na penumbra amarga de suas recordações. Sozinha, lembrava daquele que prometera chegar a poucos instantes, após uma longa e tensa negociação, posta a cabo no dia anterior.

É verdade, ela ainda nutria esperanças. Tanto que o semblante sombrio iluminou-se de vida quando por fim o rapaz cedeu às fortes e persistentes pressões e disse cansado “está bem, eu vou”. E mesmo quando ele acrescentou com firmeza na voz dizendo “mas é a última vez”, ela ainda acreditava que poderia fazê-lo retroceder em suas últimas decisões.

E no meio destas vãs lembranças, ela ouviu soar a campanhia. “É ele!”, pensou por um momento. Era a camareira, no entanto, que lhe trouxe a fantasia pedida. A moça agradeceu discretamente e então começou a trocar-se.

Rapidamente livrou-se da calça blue jeans, da camisa de seda branca, e das peças íntimas de cima e de baixo. Então se viu empunhando uma capa negra com detalhes dourados na borda, uma diminuta calcinha, meia-calça transparente e salientes dentes caninos postiços.

Fez pose sensual no espelho. E pela primeira vez sentiu-se poderosa e sedutora. Imaginou que pudesse talvez hipnotizar o seu amado, fazendo-o rastejar aos seus pés, ele mesmo a quem se humilhara tantas vezes, implorando por migalhas de carinho. E riu-se no pensamento do rapaz lambendo-lhe humildemente os dedões do pé.

E na fantasia esqueceu-se das tantas vezes em que já fora traída, mesmo com as melhores amigas e até mesmo com uma prima de segundo grau. Porém, não deixou escapar que ele já estava atrasado em mais de meia hora. 

 “Não vou ligar”. Ligou. Deixe seu recado na caixa postal. 

“Você não vem? Você me prometeu que vinha. Você me prometeu! Não faça isso comigo. Por favor, você me prometeu... Venha, por favor. Você não vai se arrepender. Eu juro que é só por hoje. Eu juro, meu amor. Eu juro... Nunca mais eu procuro você, eu juro. Você pode esquecer que eu existo, mas venha, por favor. Só por hoje... Venha, eu imploro. Prometo sumir da sua vida. Eu preciso de você. Eu preciso do seu amor. Venha, por favor... Você me prometeu...” 

Ela desligou, mas ainda disse “você me prometeu” uma dezena de vezes, enquanto chorava aos soluços. Uma das vezes ela gritou tão alto que teve medo de ter sido ouvida pelos vizinhos. Foi quando decidiu pedir a segunda fantasia.

Calcinha e sutiã brancos e bordados, um par de asas pequenas e uma auréola prateada. Ela recobrou-se um pouco e ligou novamente. Deixe seu recado na caixa postal. 

“Tudo bem, eu aceito. Você pode fazer o que quiser. Pode ter outras mulheres, quantas conseguir. Eu não ligo, desde que não me deixe. Pode até arranjar outra namorada e me fazer de amante. Eu aceito deixar de ser oficial. Mas, por favor, não me abandone. Não me deixe! Por favor! Estou aqui te esperando onde combinamos. Venha. Por favor, venha pra mim. Te amo!” 

Ela foi ao frigobar e abriu uma garrafa de vinho tinto. A anjinha pôs a boca no gargalo e bebeu grandes goles. O pensamento “ele está chegando” não lhe saía da cabeça. “Ele está chegando”, mas não chegava nunca. Ela bebeu mais. E manchou de vinho a fantasia, imaginando que ele pudesse atrair-se por aquela ninfeta angelical. Embriagou-se rapidamente e cansou de ser santa. Pediu então a terceira fantasia.

Chifres vermelhos, rabinho pontudo e chicote negro. Deixe seu recado na caixa postal. 

“Olha aqui, seu canalha. Seu cachorro! Seu nojento! Seu crápula! Seu imbecil! Venha logo, que eu só te quero por hoje. Eu vou fazer miséria com você, mas depois te jogo fora. E sabe de uma coisa? Se não quiser vir não venha. Se quiser, venha que eu vou dormir aqui. Seu idiota! Não sabe o que tá perdendo...” 

Ela desligou e deixou-se cair na cama, os chifres perderam-se por debaixo do travesseiro. Sentiu uma vontade imensa de vomitar, mas não conseguiu levantar-se e então fez por ali mesmo. E dormiu por ali mesmo, no meio daquele resto de jantar requentado.

Ficou adormecida por um longuíssimo período. Uma hora o interfone tocou. De súbito, ela acordou afoita. “É ele”, pensou. 

“Desculpe-me, minha senhora, mas o período de seu pernoite terminou. Houve alguma consumação?” 

Ela faz uma pausa e disse. 

“Houve, sim.”
“O que foi?”
“Minha alma.”
“Sua alma o quê?”
“Minha alma foi consumida...”

Pessoal,

Olha só a capa do meu livro! Novinho em folha. Ficou muito bonita. Ela foi produzida por Danilo Medeiros, excelente profissional que também assina outras capas dos Jovens Escribas. Parabéns, Danilo! Muito obrigado. Seu trabalho ficou genial!

 

Falta apenas um dia para o lançamento. Aguardo todos lá no Budda Pub!

 

Entrevista com Rosana no Vídeo Show

Você sabia que a carreira dela começou aos 13 anos?

Você sabia que ela participou de um grupo chamado Casa Nova?

Você já a ouviu cantando “Como nossos pais”, de Elis Regina?

Você sabia que ela já gravou com Gregory Abbot?

Você sabia que ela é uma deusa dominada pela canção?

 

Não?

 

Então veja esta entrevista que ela concedeu à Miguel Falabella, no Vídeo Show em 1988, e que eu peguei na página da MofoTV no YouTube:

E não se esqueça! Rosana estará no show dos 20 e poucos anos, que será realizado em Fortaleza (CE), junto com Waldick Soriano e Odair José, neste sábado, 10 de março, no Recreio Clube de Campo.

 

E neste show será lançado meu novo livro Lobas, Deusas e Ninfetas. Dois dias antes, em Natal, lançarei o mesmo livro no Budda Pub, com show da banda Belina Mamão.

 

Pessoal, acabei de receber uma ligação de Brasília. A RÁDIO NACIONAL VAI ME ENTREVISTAR NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, SOBRE O LANÇAMENTO DO LIVRO. MUITO MASSA!

O prefácio que Kátia escreveu para meu livro
Pessoal,
Segue abaixo o belíssimo prefácio que a cantora Kátia escreveu para meu livro “Lobas, Deusa e Ninfetas”. Adorei! Muito obrigado, Kátia!
 
Aguardo vocês no lançamento em Natal (8 de março, no Budda Pub, a partir das 21h) e em Fortaleza (10 de março, no Recreio Clube do Campo, dentro do show 20 e poucos anos, com Odair José, Waldick Soriano e Rosana).

Abraços,
Thiago de Góes

“Ao receber o convite para prefaciar este livro de Thiago de Góes, confesso que fiquei surpresa e muito feliz. Afinal de contas, essa era uma possibilidade que não me passaria pela cabeça, o privilégio de ser eu a pessoa escolhida pelo autor para apresentar sua obra ao leitor.

Depois de ler a obra, já em meio à madrugada, recordei com saudades um fato curioso o qual poucas pessoas têm conhecimento. Aos sete anos, eu era uma criança diferente, meio que superdotada, aprendia mais rápido do que as outras crianças, mesmo sendo cega.
Estudava em uma escola pública, na segunda série do primeiro grau. Estávamos no início do segundo semestre e havia um concurso na escola, de interpretação de textos. A criança teria que relatar com suas palavras o que entendera a respeito de um texto cujo conteúdo era a descoberta do Brasil.

Resolvi por incentivo da minha professora, que deveria participar desse concurso. Eu escrevi em Braille a interpretação de meu texto e a professora itinerante transcreveu em tinta palavra por palavra o que eu havia escrito em braille.

Fora enorme a minha surpresa e de meus pais, ao saber que havia vencido o concurso, competindo inclusive com crianças da quarta série. Em uma solenidade, recebi um diploma escrito em Braille e meus pais um exemplar do mesmo em tinta.

Ao contrário do que muitos imaginam, o primeiro prêmio que recebi não foi relativo à carreira artística e sim a um diploma literário que muito me orgulha até hoje e está pendurado em um quadro na parede da casa de meus pais.

Desde aquela ocasião, ler e escrever tornaram-se indispensáveis para mim, da mesma forma que comer ou dormir. Necessidades vitais. Quando não estou lendo algo ou escrevendo, fico triste, como pássaro na gaiola que perde o tom do canto e se cala, não mais encantando aqueles que o ouvem.

A obra de Thiago de Góes tem ingredientes que fazem o leitor transportar-se rapidamente do sonho ao real, misturando fantasia e erotismo em contos leves e criativos, embalados por vozes do cenário artístico nacional, canções especialmente escolhidas como fonte de inspiração, assim como cantoras de diferentes estilos, mas que possuem algo em comum, o romantismo entoado em letras que falam de amor, abandono, prazer, saudade, tristezas e alegrias.

Muitas surpresas reservadas ao leitor de tão gostosa obra, em contos românticos, que nos fazem ao mesmo tempo relaxar, e tencionar o corpo, à medida que a narrativa de cada conto vai colorindo nossa imaginação e tornando eterno o momento da leitura, esse instante tão sublime que só podem provocar aqueles cujo dom é dado por Deus, o de brincar com as palavras, fazê-las bailar e aterrissar no papel, despertando o que há de melhor em nós.

Parabéns Thiago de Góes, por ser alguém tão especial, que simplesmente dá asas a imaginação, tornando melhores aqueles que têm a oportunidade de ler suas obras. Continue assim, versejando, criando, dominando as palavras e escravizando completamente aqueles que têm a sorte de, ávidos por leitura, beberem da porção mágica de tudo aquilo que você puder escrever.
E assim, num brinde ao mesmo tempo doce, amargo, suave e rascante, deixo agora o sabor mágico de seus contos, de sua obra aos leitores.

Um grande abraço
Katia
Rio de Janeiro, 10 de Janeiro de 2007”
 
Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-05_10_11_10-8564639-0
Conto: O Amor e o Poder

Conforme prometi, segue um conto na íntegra do meu novo livro, Lobas, Deusas e Ninfetas, que será lançado no próxima quinta-feira, 8 de março, em Natal (RN), no Budda Pub, a partir das 21h, seguido de show da banda Belina Mamão.

O AMOR E O PODER
por Thiago de Góes
“Como uma deusa, você me mantém. E as coisas que você me diz me levam além” Interpretada por Rosana
Composição: C. de Rouge/G. Mende/J. Rush/M.S. Applegete - Versão: C.Rabello 

SEGUNDA-FEIRA
A Vós, que sois dona dessa voz imaculada que se propaga pelos ares no intransponível espaço entre vosso banheiro e meu quarto de dormir; a Vós, que entoais esse canto mavioso, com a brandura dos anjos celestes, enquanto ensaboais vosso corpo, fazendo-me invejar imensamente as espumas que acariciam vossa pele; a Vós, que não sabeis de minha existência, muito embora sejais a razão de meu ser; a Vós, enfim, formosa deusa de meus dias, dedico estas esperançosas palavras de adoração.

Cantai sempre, ó musa que me inspira devaneios. Deixai que vossa voz doce invada os cantos de vossa humilde vizinhança. E quanto a mim, se porventura suspeitardes que vos ouço acometido de uma ânsia avassaladora, não me condeneis, contudo. Ao contrário, tende clemência de vosso querido servo. 

TERÇA-FEIRA
Perdoai-me, ó santa que me tentais. Bem sabeis que a ninguém será possível resistir às seduções de vosso canto. Considereis a mim como simples refém de meus desejos e julgai-me incapaz de tomar sãs providências. Entendei, portanto, esta minha condição de escravo como atenuante de minha ousadia.

Agora, pois, vos confesso meu pecado. Comprei uma luneta! Isso! Uma linda luneta, capaz de aproximar-vos de mim, eu que não sou digno de vossa presença, mas farei de tudo para consegui-la.

Cantai, cantai, cantai, ó musa de meus olhos! Cantai mais alto, cantai de olhos fechados, cantai de janelas abertas, cantai como nunca, cantai para sempre, enquanto vos observo, enquanto vos devoro, enquanto vos seco, enquanto vos sorvo. Eu, vosso eterno súdito!

Isso, ensaboai vossa pele assim dessa maneira formosa, deixai que este líquido insípido que vos rega umedeça a candura de vossas ancas. Isso, minha deusa... Presenteai-me com o doce privilégio de encarar vossos pêlos e curvas e os recônditos íntimos de vosso corpo sedutor.

Mas, por Deus, o que estais a fazer? Não, por misericórdia, isso não! Não cometeis tamanha insânia, não sejais assim tão impiedosa, não cerreis esta janela. Não, não, não, mil vezes não! Não cerreis esta janela...  

QUARTA-FEIRA
Vós, que outrora cerrastes vossa janela, não imaginais o quão me faríeis feliz se a abrirdes novamente. Ando pensando em vós, acaso não sabeis? Venho reunindo forças, criando coragem para vos abordar.

Não vos espanteis se um dia receberdes a inesperada visita de um falso entregador de pizza. Serei eu, vosso servo, que vos abordarei. Aliás, não agüento mais tanta espera. Hoje mesmo cuidarei disto.

Assim que terminardes vosso banho, esse que teimais ainda tomar em resguardo, tocarei vossa campainha, antes mesmo que possais tomar de vossas vestes, e assim me atendais enrolada em vossa toalha, na altura dos seios e dos meus impuros desejos sacrossantos.

Rogai por mim, ó santa que me tentais! 

QUINTA-FEIRA
Por muito pouco, escapastes vós. Eis que o porteiro de vosso templo inventou, não sei por qual razão, que não há inquilinos em vossa morada. Estás enganado, argumentei. Ele insistiu. Tive uma idéia.

Vós acreditais que afirmei estar interessado em alugar vosso teto? Vede vós as mentiras que sou capaz de proferir para que possa adentrar em vosso mundo. Não, ele disse. As chaves estão na imobiliária.

Ir-me-ei. A fúria me consumiu e voltei bufando de raiva para meus aposentos. Mas então vosso banho já terminara.

Quando, ó santa que me tentais, concedereis o direito de vos ter? 

SEXTA-FEIRA
Ouvistes, enfim, minhas preces e deixastes aberta a janela. Ah... Sabeis que subornarei aquele porteiro infame que teima em proibir-me de ter convosco? Sabeis que preciso desesperadamente de vós? Sabeis que preciso tocar naquilo que apenas vejo? Ah, deusa minha, por que me torturais tanto? Não fujais vós de mim, pois sou teu servo e a vós daria o mundo se dele me apropriasse. 

SÁBADO
Todo mundo tem um preço, exceto vós, que estais muito acima destas vis questões pecuniárias. Paguei caro pelo direito de adentrar em vosso templo. Vasculhei vossos cômodos, cheirei vossas vestes, deitei em vosso leito sagrado... E, principalmente, aguardei por vós. E como aguardei! Horas e mais horas, mas vós não aparecestes... Acaso fugistes de mim? 

DOMINGO
Sabeis que me julgam louco? Querem devolver-me àquele hospital ridículo. Alguém me denunciou. Suspeito daquele porteiro imbecil. Mal sabem que vasculhei vossos cômodos, que cheirei vossas vestes, que descansei em vosso leito, que encarei vossos recônditos íntimos. É porque não ouviram vosso canto e nem viram vossas ancas ensaboadas, que vos julgam apenas um subproduto de uma mente insana.

São hereges, nada mais. Hereges inescrupulosos, vazios de sentimento. Não entristeçais, se vos ignoram. Eu bem sei que existis, que vos ensaboais nas belas tardes ensolaradas, enquanto entoais estes celestiais versos, mantras que me invadem o coração.

Protegei-me deles, ó deusa de meus dias, que tentarão prender-me em jaulas que se vestem, e me farão engolir alucinógenas pílulas, e tentarão me confundir com poderosas cargas energéticas.

Protegei-me deles. Contudo, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem...

Permalink: http://contosbregas.zip.net/arch2007-03-01_2007-03-31.html#2007_03-02_09_16_52-8564639-0

Belina Mamão canta Meu Cofrinho de Amor

Depois de mostrar o clipe de “O Amor e o Poder”, de Rosana, no Fantástico, coloco para vocês mais um clássico do cancioneiro brega brasileiro: Cofrinho de Amor. A música foi composta pelo saudoso mestre Elino Julião. No vídeo, vocês a ouvem interpretada pela banda Belina Mamão (que tocará no lançamento do meu livro Lobas, Deusas e Ninfetas), com participação especial de Araken, filho de Elino Julião.

 

Vejam o vídeo e leiam as letras. Eu disse letras, no plural, pois o mega-pop-brega-star Falcão gravou uma esplendorosa versão da música em inglês, que recebeu o singelo título de “My Little coffer of love”.  

Meu Cofrinho de Amor

Elino Lulião

Você é meu céu é minha vida
Meu peso minha medida
Meu cofrinho de amor
Enquanto eu estou lhe esperando
Minha alma está queimando
Neste fogo abrasador

E as vezes eu recordo com ciúmes
Seu rostinho seu perfume
Seu jeitinho de beijar
Estou quase morrendo de vontade
De abraçar o seu corpinho
E matar minha saudade

Volta meu bem meu amor minha vida
Estou lhe esperando
Volta depressa que o meu coração
Esta quase parando

Quero lhe dar muitos beijos e abraços
Sentir seu calor
Quero lhe ver te abraçar me conter
Morrendo de amor

 

Falcão
Composição: (Elias Soares / João Martins)

You are my sky, you are my life
My weight, you are my measure
My little coffer of love
While I am waiting for you
My soul is all it burning
Is this fire very fire

Sometimes I remember with jalousie
Your little face, your deep smell
Your little way of kissing me
I am almost dying from will
Of embracing your little body
And to kill my loneleness

Come back my well, my love, my life
I waiting for you, come back fast
because my heart is almost stopping

I hope to give many kisses, embracings
To feel your heat
I want see you
Hug you, coutain you
Dying fast of love

 

CONTAGEM REGRESSIVA: Faltam apenas 7 DIAS para o lançamento do meu livro Lobas, Deusas e Ninfetas, em Natal (RN), a partir das 21h, no Restaurante Budda Pub, seguido de show da Belina Mamão.

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